
A implantação da inteligência artificial tem avançado em todos os setores das empresas, mas a dificuldade em transformar a tecnologia em resultados concretos começa a causar impactos financeiros e operacionais. É o que mostra o relatório “Future of Professionals 2026”, divulgado pela Thomson Reuters, que identifica uma crescente diferença entre o uso da IA e sua efetiva integração aos processos de negócio.
Baseado em entrevistas com 1.800 profissionais de diferentes mercados, o estudo revela que 74% dos respondentes já utilizam ferramentas de inteligência artificial semanalmente. Apesar disso, 91% avaliam que suas organizações ainda não exploram todo o potencial da tecnologia. A consequência é uma combinação de baixa produtividade, riscos operacionais e dificuldades para capturar ganhos competitivos.
Segundo o levantamento, a falta de maturidade na implementação da IA também tem levado profissionais a buscar soluções fora dos ambientes corporativos oficiais. Um terço dos entrevistados afirma utilizar ferramentas não aprovadas por suas organizações, prática conhecida como “Shadow AI“. O índice sobe para 41% entre profissionais que consideram lenta a evolução da estratégia de IA de suas empresas.
A preocupação é ampliada pelas exigências relacionadas à governança e à confiabilidade dos sistemas. Entre os participantes da pesquisa, 96% afirmam que as soluções de IA precisam garantir proteção de dados sensíveis, enquanto 94% defendem acesso a informações verificadas e 90% consideram fundamental que os resultados possam ser explicados e auditados. Mesmo assim, 41% relatam não ter acesso a ferramentas corporativas que atendam a esses requisitos.
Pressão crescente sobre retenção de profissionais
O estudo também aponta impactos na gestão de talentos. Entre os profissionais que percebem uma diferença significativa entre o potencial da IA e os resultados entregues por suas empresas, 24% afirmam que considerariam deixar seus empregos nos próximos dois anos. Desse grupo, 13% avaliam uma mudança já nos próximos 12 meses.
O acesso a ferramentas avançadas de IA passou a influenciar decisões de carreira com cerca de 62% dos entrevistados afirmando que a disponibilidade dessas tecnologias teria peso na aceitação de uma nova oportunidade profissional. Entre aqueles que já utilizam IA de forma recorrente, quase um terço afirma que recusaria uma proposta de trabalho que não oferecesse esse tipo de recurso.
“Estamos vendo surgir uma divisão clara. Escritórios que estão operacionalizando a IA estão avançando mais rápido. Os que não estão, começam a assumir riscos reais em talento, clientes e desempenho financeiro. Fechar essa lacuna de execução agora é um imperativo de negócio para escritórios profissionais”, pontuou em nota Steve Hasker, Presidente e CEO da Thomson Reuters.
Clientes cobram resultados mais rápidos
A expectativa dos clientes em relação à inteligência artificial também está aumentando. O relatório mostra que 78% das organizações contratantes consideram essencial ou muito importante receber ganhos de qualidade impulsionados por IA. No entanto, apenas 6% acreditam que a maioria dos fornecedores já entrega esse nível de evolução.
Os dados apontam que a diferença entre expectativa e entrega já influencia decisões comerciais: 32% dos clientes pretendem revisar seus relacionamentos com fornecedores ao longo dos próximos 12 meses. Em muitos casos, estão envolvidos contratos de alto valor, especialmente nos mercados jurídico e contábil dos Estados Unidos.
A estimativa da Thomson Reuters é que aproximadamente US$ 143 bilhões em receitas anuais estejam potencialmente expostos a processos de reavaliação por parte dos clientes, refletindo a crescente demanda por ganhos de eficiência, qualidade e precisão apoiados por inteligência artificial.
Hasker finalizou apontando que “nem toda IA é igual. Em profissões com responsabilidade legal, o padrão precisa ser muito mais alto. Quando os resultados impactam decisões jurídicas, regulatórias ou aconselhamento a clientes, ‘quase certo’ não é suficiente. Por isso desenvolvemos o que chamamos de IA de nível fiduciário, uma tecnologia que os profissionais podem verificar, confiar e sustentar”.






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