Foto: Marcello Casal Jr/ABr/Wikimedia Commons

O Macrossetor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) no Brasil deve gerar 33 mil novos empregos formais até dezembro de 2026. A estimativa faz parte do relatório “Perspectivas do Mercado de Trabalho do Macrossetor TIC”, elaborado pela Brasscom (Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais). O levantamento mostra que a demanda por profissionais permanece elevada.

Além da projeção para novas contratações, o estudo identifica mudanças importantes na dinâmica do mercado de trabalho. Embora o número de profissionais continue crescendo, a maior parte da expansão recente ocorreu por modalidades diferentes da contratação via Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), evidenciando desafios estruturais para ampliar a formalização no setor.

A análise também considera fatores como inteligência artificial, qualificação profissional, diversidade e indicadores econômicos para traçar um panorama da evolução do mercado de tecnologia nos próximos anos.

Formalização ainda é desafio

Entre 2023 e 2025, o macrossetor incorporou mais de 111,1 mil novos profissionais. Desse total, 55,6% passaram a atuar como Microempreendedores Individuais (MEIs) ou em atividades informais, enquanto 44,4% ingressaram por meio de vínculos celetistas.

Os dados mostram que o crescimento das contratações formais ficou abaixo das projeções elaboradas anteriormente para 2025. O mercado registrou 23,7 mil novos empregos CLT, ao mesmo tempo em que contabilizou 88,5 mil novos MEIs e 13,3 mil trabalhadores em situação informal. Para a Brasscom, esse comportamento demonstra que a expansão do setor continua intensa, mas enfrenta obstáculos relacionados ao ambiente regulatório e às condições econômicas que influenciam as decisões de contratação.

A IA redefine competências

O relatório aponta que a inteligência artificial tende a transformar atividades e competências profissionais, sem provocar redução significativa do número de empregos no curto prazo. O principal impacto está na reorganização das tarefas e na crescente necessidade de domínio de ferramentas baseadas em IA em diferentes áreas de atuação.

Segundo a análise, profissionais capazes de utilizar IA para automatizar processos e apoiar a tomada de decisões passam a ter maior relevância no mercado.

A capacidade de formação de talentos apresentou crescimento nos últimos anos, com mais de 200,7 mil estudantes concluindo cursos superiores na área de tecnologia entre 2022 e 2024, volume 59,1% superior ao registrado anteriormente.

Somente em 2024 foram formados 110.960 profissionais, sendo que 40% optaram pelo curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas. Já as matrículas em cursos técnicos de TIC cresceram 52% entre 2023 e 2025.

Diversidade avança na formação

Os indicadores de diversidade também mostram evolução, pois em 2024 o número de mulheres formadas em cursos superiores de TIC aumentou 32,4%. A participação feminina entre os concluintes chegou a 19,2%, representando avanço de 1,3 ponto percentual em relação ao ano anterior.

Entre estudantes negros, o crescimento dos concluintes do ensino superior em tecnologia foi de 26,7% em 2024. Apesar do avanço, o relatório ressalta que ampliar a representatividade continua sendo um objetivo para aproximar a composição do setor da realidade demográfica do país.

Affonso Nina, presidente executivo da Brasscom, destacou em nota que “o relatório mostra claramente que o setor de TIC está em expansão, formando talentos e inovando, com a capacidade de gerar 33 mil novos empregos CLT até o final de 2026. Contudo, o verdadeiro gargalo não é a falta de profissionais ou de demanda, mas o ambiente regulatório e econômico que ainda dificulta a formalização. Precisamos de políticas públicas que incentivem a contratação CLT e a requalificação, para que o crescimento do setor se traduza em oportunidades de trabalho mais estáveis e mantenha o Brasil na vanguarda da economia digital”.

As projeções foram desenvolvidas com metodologia estatística baseada em Machine Learning, utilizando dados públicos da RAIS, Caged e IBGE. Segundo a Brasscom, o modelo apresenta cobertura de projeção de 90% e nível de confiabilidade de 95%.

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