Foto: Ossewa/Wikimedia Commons

A América Latina é um dos mercados mais promissores para a construção civil, impulsionada por investimentos em infraestrutura, energia e digitalização. A avaliação faz parte do “Relatório de Mercado Global de Seguros e Fianças para a Construção 2026”, divulgado pela Aon, que também projeta crescimento da indústria global de construção de US$ 17 bilhões em 2026 para quase US$ 22 bilhões até 2030.

O levantamento mostra que a região amplia sua carteira de projetos com empreendimentos de maior porte e complexidade técnica. Obras públicas, concessões público-privadas e investimentos privados voltados à transição energética lideram esse movimento. Paralelamente, a expansão global dos data centers passa a influenciar as estratégias de seguros, resseguros e transferência de riscos para novos empreendimentos.

A evolução desse cenário ocorre em um momento de transformação da infraestrutura mundial. O avanço da economia digital amplia a demanda por data centers de alta capacidade (principalmente pela alta demanda de inteligência artificial), que exigem investimentos elevados, maior consumo energético e padrões rigorosos de engenharia, segurança e sustentabilidade.

Data centers mudam perfil de risco

Segundo o relatório, as seguradoras vêm adotando critérios mais rigorosos para avaliar projetos ligados à infraestrutura digital. Além dos riscos tradicionais da construção, entram na análise fatores relacionados à governança dos empreendimentos, à qualidade dos dados técnicos e à exposição operacional durante todo o ciclo de vida dos ativos.

Os data centers apresentam desafios específicos por exigirem áreas maiores, infraestrutura elétrica robusta e operações altamente críticas. Esse conjunto de características amplia tanto os impactos ambientais quanto a necessidade de programas de seguros mais sofisticados e personalizados.

“A infraestrutura digital está transformando o perfil de risco na construção civil. À medida que os projetos se tornam maiores, mais técnicos e mais críticos do ponto de vista operacional, o foco deve estar na mitigação precoce de riscos, na tomada de decisões apoiada por análises de dados e na concepção de programas que reflitam cada etapa da construção desses ativos e como eles são colocados em operação”, destacou em nota Paulo Correia de Novaes, Líder de Indústrias para a América Latina na Aon.

Brasil tem o melhor desempenho regional

Na América Latina, o estudo identifica desempenho consistente da construção civil no Brasil, Chile, Peru, Panamá e Uruguai, enquanto Colômbia e México registram recuperação parcial. O cenário regional é sustentado pelo avanço de investimentos em infraestrutura estratégica e pela demanda crescente por projetos relacionados à transição energética.

Ao mesmo tempo, o mercado convive com um ambiente internacional de maior exposição a eventos climáticos extremos. As perdas globais provocadas por desastres naturais chegaram a US$ 260 bilhões em 2025, reforçando a importância de projetos resilientes, planejamento técnico e modelos de gestão capazes de reduzir riscos desde as fases iniciais da construção. As seguradoras priorizam empreendimentos que apresentam governança estruturada, fundamentos técnicos sólidos e estratégias consistentes de mitigação de riscos relacionados a catástrofes naturais.

O estudo mostra um crescimento na demanda por seguros de responsabilidade profissional destinados a empreiteiros, engenheiros e projetistas especializados em infraestrutura digital e energia. As seguradoras ampliam a atenção sobre cláusulas contratuais, distribuição de responsabilidades técnicas e potenciais disputas decorrentes da execução de projetos de elevada complexidade.

Globalmente, a Aon aponta que o mercado de seguros para construção inicia 2026 com maior capacidade e ambiente competitivo, mas preservando disciplina na subscrição. Projetos que apresentam governança consistente e gestão preventiva de riscos deverão reunir melhores condições para obtenção de cobertura no mercado segurador.

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