Foto: Tima Miroshnichenko/Pexels

A inteligência artificial já está se tornando uma ferramenta cotidiana para os cibercriminosos. É o que mostra o “Relatório de Caça a Ameaças 2026”, divulgado pela CrowdStrike. Grupos criminosos e patrocinados por Estados já utilizam IA para automatizar ataques e explorar vulnerabilidades em poucas horas, ampliando a escala das operações.

O estudo também indica que a própria infraestrutura de IA passou a ser um dos principais alvos dos invasores. Com a rápida adoção de modelos de linguagem (LLMs) e aplicações inteligentes, as organizações passaram a lidar com uma superfície de ataque mais ampla, que inclui desde cadeias de suprimentos de software até plataformas corporativas de inteligência artificial.

Entre os casos analisados, o relatório destaca uma campanha atribuída ao grupo norte-coreano STARDUST CHOLLIMA, que comprometeu 131 pacotes confiáveis do framework Mastra AI por meio de um pacote malicioso distribuído via npm. Apenas no primeiro semestre de 2026, 87% das ameaças identificadas em registros de software estavam ligadas a pacotes npm maliciosos.

Outro exemplo citado envolve o grupo de eCrime ALTERED SPIDER, responsável por comprometer mais de 300 dependências de software em um único dia para obter credenciais e expandir o acesso a ambientes em nuvem.

A pesquisa também aponta que a atividade criminosa direcionada à nuvem cresceu 171%. Os ataques incluem roubo de credenciais, criptomineração, exploração de modelos de IA corporativos e furto de ativos financeiros digitais, indicando que os ambientes em nuvem passaram a concentrar parte relevante das operações dos criminosos.

Exploração de falhas acontece em até 24 horas

Outro dado que chama atenção é a redução do tempo entre a divulgação pública de vulnerabilidades e o início dos ataques. De acordo com a CrowdStrike, grupos ligados à China, como VAULT PANDA e GENESIS PANDA, conseguiram explorar falhas críticas em até 24 horas após a publicação das provas de conceito (PoC), encurtando significativamente a janela disponível para aplicação de correções.

A empresa também identificou o uso crescente da IA para criar comandos, desenvolver cargas maliciosas e abusar de modelos de linguagem corporativos. Em uma das campanhas monitoradas, foram registradas quase 200 mil solicitações enviadas a modelos de IA em apenas dois minutos.

Segundo o relatório, os alertas gerados por atividades conduzidas por agentes de IA cresceram em um ritmo 2,5 vezes superior ao observado em ações iniciadas por operadores humanos, aumentando o volume de eventos que precisam ser analisados pelas equipes de segurança.

Autenticação também vira alvo

Os métodos de autenticação considerados confiáveis também passaram a ser explorados com mais frequência, exemplo disso são as invasões por vishing que dobraram no primeiro semestre de 2026. Já as tentativas de phishing utilizando códigos de dispositivo aumentaram 15 vezes no mesmo período.

Entre os casos analisados, os grupos CORDIAL SPIDER e SNARKY SPIDER utilizaram aplicativos SaaS integrados a sistemas de single sign-on (SSO) para acessar ambientes corporativos e extrair dados. Em um dos incidentes, o SNARKY SPIDER levou menos de cinco minutos entre o comprometimento da conta e o início da exfiltração das informações.

Para Adam Meyers, executivo-chefe de operações contra adversários da CrowdStrike, a inteligência artificial já faz parte da infraestrutura operacional dos criminosos. Em nota Meyers apontou que “a IA agora está incorporada às operações dos adversários modernos. Ela está mudando a forma como os ataques são planejados, executados e escalados, ao mesmo tempo em que ampliaa superfície de ataque que as organizações precisam defender. As organizações que tiverem sucesso protegerão a IA tão agressivamente quanto a adotam e usarão a IA para sedefender na velocidade do adversário”.

O relatório completo (em inglês) pode ser obtido neste link.

Sem comentários registrados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *