
O iFood vai investir R$ 24 bilhões no Brasil entre abril de 2026 e março de 2027, valor 41% maior que os R$ 17 bilhões anunciados no ciclo anterior. O plano combina expansão do negócio de delivery com tecnologia, inteligência artificial, serviços financeiros e soluções para restaurantes. O anúncio foi feito durante o iFood MOVE 2026.
A empresa completa 15 anos de operação e atualmente reúne 65 milhões de consumidores, 500 mil estabelecimentos e 600 mil entregadores parceiros. A plataforma está presente em mais de 2 mil cidades e registra mais de 180 milhões de pedidos por mês.
Impacto na economia brasileira
O tamanho do ecossistema também aparece nos dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Segundo levantamento da instituição, as atividades relacionadas ao iFood movimentaram R$ 167 bilhões na economia brasileira em 2025, o equivalente a 0,70% do PIB nacional.
No mesmo período, o ecossistema associado à plataforma contribuiu para 1,18 milhão de postos de trabalho diretos e indiretos. O número representa mais de 1% da população ocupada no país e cresceu mais de 10% em relação ao ano anterior.
Entre os restaurantes de menor porte, outro dado chama atenção. De acordo com a Fipe, a presença no iFood pode reduzir em até 60% o risco de falência de pequenos negócios no longo prazo.
Diego Barreto, CEO do iFood, destacou em nota que “os R$ 24 bilhões que anunciamos representam um crescimento de 41% em relação ao investimento anunciado no ano passado, quando foram R$ 17 bilhões. Mais do que um número, esse aumento reforça nosso compromisso de longo prazo com o Brasil, onde nascemos e estamos há 15 anos. Cada real investido movimenta todo o ecossistema: estabelecimentos vendem mais, entregadores têm mais oportunidades de renda, consumidores ganham em conveniência e melhores serviços e a tecnologia brasileira avança. É por isso que vemos, ano após ano, o impacto positivo do iFood para a economia e a sociedade brasileiras”.
IA ganha espaço na plataforma
Do total previsto para o novo ciclo, mais de R$ 2 bilhões serão destinados a tecnologia e inovação. A inteligência artificial está entre as prioridades, com evolução dos agentes de IA e do Large Commerce Model (LCM), modelo desenvolvido pelo iFood em parceria com a Prosus.
A proposta do LCM é aplicar IA generativa especificamente às operações de comércio e delivery. O sistema utiliza sinais como buscas, cliques, compras, cancelamentos e avaliações para compreender melhor a intenção dos consumidores.
Com isso, o iFood pretende aprimorar recomendações e notificações dentro da plataforma. A empresa também destaca a possibilidade de fazer isso com custo inferior ao de modelos proprietários equivalentes.
Delivery busca novas ocasiões de consumo
A estratégia de crescimento não ficará restrita às refeições. O iFood pretende ampliar a participação de categorias como farmácias, supermercados, lojas e pet shops, além de criar novos formatos de consumo dentro do próprio delivery.
Entre os produtos estão o iFood Hits, voltado a refeições com preços mais baixos, e o iFood Turbo, que utiliza uma operação logística otimizada para acelerar as entregas em grandes cidades.
A empresa também aposta em serviços que conectam o ambiente digital à operação física dos restaurantes. A plataforma passa a trabalhar com recursos como reserva de mesas, cashback e descontos, buscando levar consumidores dos aplicativos para os salões e ajudar os estabelecimentos a ocupar horários de menor movimento.
Crédito para pequenos restaurantes
O iFood Pago é outra frente de expansão. A fintech oferece crédito para pequenos e médios restaurantes, que representam mais de 70% da base de parceiros da plataforma.
Dados de uma pesquisa da Ipsos com estabelecimentos que utilizaram o serviço mostram que 79% dos entrevistados perceberam impacto positivo nos negócios. Outros 77% afirmaram que o crédito contribuiu para o crescimento da empresa.
O acesso ao sistema financeiro tradicional também aparece como um obstáculo. Mais de 63% dos restaurantes ouvidos disseram que não haviam conseguido aprovação de crédito por canais tradicionais antes de utilizar o iFood Pago.
Entregadores e ações sociais
O aumento previsto no volume de pedidos também deve ampliar a renda gerada para entregadores. A estimativa do iFood é de crescimento de quase 20% no valor total movimentado para esses profissionais, com mais da metade desse montante vindo de aportes diretos da empresa.
Os programas sociais voltados aos entregadores também serão ampliados. O Meu Diploma do Ensino Médio já chegou a 15 mil formados, e 45% dos participantes afirmaram ter aumentado a renda depois de concluir os estudos.
Já o programa Chega Junto recebeu R$ 10 milhões nesta edição, dez vezes mais que na anterior. A iniciativa apoia projetos de segurança, saúde e educação conduzidos por entregadores.
Outra expansão ocorreu na rede de pontos de apoio. Os espaços, que oferecem estrutura como banheiros, água, tomadas, internet e áreas para refeições, cresceram 90% nas cidades onde estão disponíveis.






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