Equipe da CERC. Foto: Divulgação/CERC

A inteligência artificial começa a mudar não apenas as tarefas executadas por empresas, mas também a forma como processos são desenhados. Na CERC, infraestrutura do mercado financeiro, essa transformação já envolve 115 agentes de IA em operação e mais de 25 mil tarefas realizadas com apoio da tecnologia nos últimos 90 dias. Segundo a empresa, o uso dos agentes contribuiu para um aumento de 67% na produtividade dos colaboradores.

A experiência será apresentada durante o Google Cloud Summit. A companhia vai mostrar como combinou dados, infraestrutura em nuvem e agentes autônomos para apoiar atividades em áreas como desenvolvimento de software, atendimento, finanças, risco e compliance.

Agentes com funções definidas

Os agentes, chamados internamente de “Cerquinhos”, não funcionam como ferramentas genéricas. Cada um recebe uma persona, um escopo de atuação e um mandato específico. Também existe um responsável humano pela gestão de suas atividades.

A operação é coordenada pelo Gateway CERC FROST, uma camada criada para acompanhar fatores como segurança, custos e conformidade regulatória. A estrutura também busca manter controle sobre o que os agentes podem executar em uma operação sujeita às regras do Banco Central.

Antes de colocar os agentes para trabalhar, a CERC reorganizou os próprios processos. As atividades passaram a ser descritas a partir de entradas, estados e resultados esperados. A ideia é criar condições para que a IA tenha parâmetros mais claros de atuação e possa ser acompanhada ao longo da execução.

André Racz, CIO da CERC, destacou em nota que “a nossa experiência mostra que a discussão sobre IA no mercado financeiro já não é apenas sobre eficiência, mas sobre desenho de operação. Quando agentes passam a executar milhares de tarefas, a empresa precisa definir com clareza o que pode ser delegado, quais decisões permanecem sob responsabilidade humana e como cada etapa será monitorada. É esse aprendizado, construído a partir da nossa própria operação, que estamos levando para a discussão com o ecossistema de tecnologia e mercado financeiro”.

IA aplicada ao desenvolvimento

A estratégia também inclui o SHIFT, plataforma de agentes autônomos criada para apoiar equipes de engenharia de software. A ferramenta acompanha diferentes etapas do desenvolvimento, desde a especificação até os testes.

A CERC pretende levar essa experiência para fora da própria empresa. O próximo passo é disponibilizar o SHIFT como open source, permitindo que desenvolvedores e outras organizações tenham acesso à arquitetura. A data de lançamento ainda não foi divulgada.

A experiência da CERC mostra uma mudança importante na discussão sobre IA corporativa. Em vez de apenas adicionar ferramentas aos fluxos existentes, a empresa está redesenhando processos para que agentes possam executar partes da operação com autonomia controlada.

O modelo também coloca governança no centro da adoção. Produtividade, segurança, custos, conformidade e definição das responsabilidades humanas passam a ser acompanhados junto com a expansão do uso da tecnologia.

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