
A transformação digital do compliance ainda esbarra em problemas básicos dentro das empresas. Um levantamento global da SoftExpert mostra que aproximadamente quatro em cada dez executivos já viram suas organizações sofrerem impactos relevantes por problemas de conformidade. Em 23% dos casos, crises desse tipo acontecem de uma a três vezes por ano.
O estudo “Panorama setorial global: Governança, Compliance e Transformação Digital” ouviu profissionais de cargos como C-level, diretores e especialistas em diferentes países. Participaram empresas de setores como farmacêutico, financeiro, automotivo, manufatura e alimentos e bebidas.
Falta de visibilidade
Um dos dados mais relevantes da pesquisa está justamente no que as empresas não conseguem identificar. Cerca de 41% dos entrevistados não souberam informar se suas organizações já haviam sido afetadas por situações de não conformidade.
O resultado aponta para uma dificuldade de monitoramento que vai além da existência de ferramentas. Sem dados consolidados e processos conectados, parte das empresas pode ter problemas para identificar riscos, acompanhar ocorrências e entender os impactos sobre a operação.
A pesquisa também mostra que tecnologia, isoladamente, não resolve o problema. Para 64% dos executivos, a baixa cultura digital é uma das principais barreiras à evolução do compliance. Outros 62% citam sistemas antigos e sem integração.
Na prática, a combinação cria ambientes com dados espalhados e pouca comunicação entre processos. Isso dificulta a construção de uma visão atualizada dos riscos e pode aumentar o trabalho manual das equipes responsáveis por governança, auditoria e conformidade.
“Observamos que o maior gargalo é trabalhar a cultura da empresa em relação à transformação digital. A grande maioria das organizações em setores críticos ainda tenta gerenciar riscos complexos com ferramentas ultrapassadas ou com falta de integração, expondo os negócios a inúmeras vulnerabilidades”, apontou em nota Josiani Silveira, CEO da SoftExpert.
Risco e capacitação ganham espaço
O levantamento mostra que as empresas já começam a direcionar suas prioridades para reduzir essas lacunas. A melhoria da gestão de riscos e a preparação das equipes para a transformação digital aparecem empatadas no topo da agenda, com 58% das respostas cada.
A ampliação da rastreabilidade foi citada por 55% dos participantes. Na sequência aparecem a implementação de sistemas integrados, com 41%, a redução de custos, com 35%, e a automação de auditorias, mencionada por 24%.
A sustentabilidade também aparece como um fator associado à digitalização. Segundo o levantamento, 34% das empresas afirmam que as iniciativas relacionadas a ESG já estão impulsionando mudanças concretas nos processos de compliance.
Pressão regulatória aumenta
Os resultados acompanham uma mudança mais ampla no ambiente corporativo. Segundo dados citados pela SoftExpert, 85% das empresas consultadas pela PwC perceberam um aumento significativo da complexidade regulatória nos três anos anteriores.
O estudo também relaciona governança e transformação digital. Análises do Gartner citadas no levantamento apontam que a ausência de uma governança integrada é o principal motivo para apenas 48% das iniciativas de transformação digital alcançarem suas metas de negócio.
Para a SoftExpert, o avanço do compliance digital depende, portanto, de uma combinação entre tecnologia, processos e preparação das equipes. A empresa defende que a área deixe de ser tratada apenas como uma obrigação operacional e passe a participar diretamente da estratégia de crescimento.
Josiani ainda complementou que “para as empresas que desejam liderar a próxima década, o compliance precisa deixar de ser encarado como um mero centro de custo ou obrigação burocrática para se tornar um verdadeiro ativo de performance. A governança integrada com o ambiente digital é a infraestrutura indispensável que permite às organizações escalar a inovação com segurança”.






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