
As expectativas dos jovens sobre o futuro da educação estão incluindo a inteligência artificial, como não poderia deixar de ser frente a uma tecnologia que está tão presente em nosso dia a dia. Para a geração Z, tutores digitais capazes de adaptar explicações ao ritmo de cada estudante e ambientes de aprendizagem com recursos imersivos estão entre as tecnologias mais promissoras. O avanço, porém, também exige preparo para lidar com erros, proteger dados pessoais e preservar o pensamento crítico.
Uma pesquisa da Kaspersky mostra que 18% dos entrevistados da geração Z consideram os tutores personalizados de inteligência artificial uma das tecnologias mais promissoras para o futuro. O índice supera a média geral do levantamento, de 16%, e é o maior entre as gerações pesquisadas.
Jovens esperam uma aprendizagem mais personalizada
A familiaridade com recursos digitais ajuda a explicar esse interesse. Segundo o levantamento, 68% dos participantes da geração Z perceberam um aumento do uso de tecnologia na educação nos últimos cinco anos. Entre todos os entrevistados, a proporção foi de 55%.
As salas de aula com realidade virtual e aumentada, combinadas com assistentes de IA, também despertam interesse. Essas soluções foram apontadas por 14% dos jovens, contra 12% da amostra total, novamente com a geração Z na liderança entre os grupos etários pesquisados.
Os tutores de IA podem oferecer explicações adaptadas às necessidades individuais, permitir que os estudantes avancem no próprio ritmo e propor exercícios de acordo com suas dificuldades. Já os ambientes imersivos podem ampliar as possibilidades de interação com os conteúdos.
A adoção dessas ferramentas, entretanto, não garante melhores resultados por si só. O desafio está em incorporar a tecnologia ao ensino sem comprometer a autonomia dos estudantes e o papel dos educadores. Orientações da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) também destacam a importância da supervisão humana, da proteção de dados e do uso ético da IA na educação.
Uso da IA exige pensamento crítico e segurança digital
A expansão da inteligência artificial nas escolas torna o letramento digital uma competência cada vez mais necessária. Estudantes e professores precisam saber avaliar as respostas produzidas pelos sistemas, identificar possíveis erros e entender como as plataformas utilizam as informações fornecidas pelos usuários.
A Kaspersky recomenda alguns cuidados principais para o uso dessas ferramentas na aprendizagem. Conferir as informações e respostas geradas por IA, pois elas podem conter erros, dados desatualizados ou informações sem contexto. Por isso, conteúdos relevantes devem ser comparados com fontes confiáveis. Outro ponto destacado é manter a orientação humana, uma vez que a tecnologia pode ajudar a explicar assuntos e oferecer feedback, mas não substitui a análise independente, o pensamento crítico e o acompanhamento dos educadores. Também deve-se preservar os dados pessoais: antes de compartilhar informações com plataformas de IA, estudantes devem avaliar os riscos, conhecer as políticas de uso dos dados e recorrer às opções de privacidade disponíveis.
Fabiano Tricarico, diretor geral de produtos de consumo da Kaspersky para as Américas, contou em nota que “a segurança digital precisa acompanhar o avanço da IA na educação desde o início. Estudantes e educadores precisam saber como proteger seus dados e verificar as informações geradas por essas ferramentas. Deixar esse preparo para depois significa permitir que a adoção avance sem os cuidados necessários com a privacidade e a segurança. A proteção de contas, dispositivos e informações pessoais precisa fazer parte da aprendizagem agora. Quanto mais essas ferramentas entram na rotina, mais urgente se torna desenvolver essas habilidades, preservando o pensamento crítico e a orientação dos educadores”.
Para o estudo foram entrevistadas 7.200 pessoas em 18 países: Brasil, China, Colômbia, Egito, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Malásia, México, Rússia, Arábia Saudita, Espanha, África do Sul, Tailândia, Turquia e Vietnã.






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