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As empresas estão enfrentando um aumento na demanda por novas habilidades com o uso de inteligência artificial, mas proteger dados, sistemas e operações continua sendo uma prioridade para as lideranças de tecnologia. No Brasil, a cibersegurança ocupa o primeiro lugar entre as competências mais valorizadas pelos gestores de TI, segundo levantamento da Robert Half divulgado em outubro de 2026.

A pesquisa mostra que 64% dos gestores brasileiros de tecnologia consideram a segurança digital uma das habilidades mais importantes. O índice supera o de desenvolvimento de software e aplicações, mencionado por 59% dos entrevistados, e o de ciência de dados e inteligência artificial generativa, ambos com 58%.

O resultado indica que, mesmo com a adoção acelerada de soluções de IA, as empresas continuam precisando de profissionais capazes de reduzir riscos e manter a integridade de seus ambientes digitais.

Segurança digital supera competências em IA

Além da cibersegurança, outras habilidades relacionadas à infraestrutura e à automação também aparecem entre as mais valorizadas pelas lideranças. O uso ou a programação de IA agêntica, a computação em nuvem e as técnicas de scripting e automação registram 56% cada.

Para Alexandre Mendonça, gerente da Robert Half, a expansão das tecnologias baseadas em dados aumenta a necessidade de proteger informações e operações corporativas. Em nota o executivo apontou que “quanto mais as empresas adotam tecnologias baseadas em dados, maior se torna a necessidade de proteger informações estratégicas, ativos digitais e processos críticos. Por isso, a segurança continua ocupando uma posição  central na agenda das áreas de tecnologia”.

A combinação entre novas ferramentas digitais e proteção dos sistemas coloca a cibersegurança entre as competências necessárias para sustentar a transformação tecnológica das organizações.

Profissionais buscam habilidades em IA, nuvem e segurança

Entre os profissionais de TI, a busca por capacitação apresenta uma distribuição diferente da observada entre os gestores. O desenvolvimento de software com apoio de inteligência artificial lidera as prioridades, citado por 39% dos entrevistados como uma das três principais áreas para aprimoramento profissional.

A computação em nuvem aparece em seguida, com 32%, enquanto a cibersegurança soma 31%. O desenvolvimento de competências em IA generativa vem logo depois, com 30%.

Os números mostram que os profissionais procuram acompanhar a evolução da inteligência artificial sem deixar de lado conhecimentos ligados à proteção de sistemas e informações. Para quem trabalha com tecnologia, a combinação dessas habilidades pode ser importante em ambientes corporativos cada vez mais conectados e automatizados.

“Os profissionais estão desenvolvendo competências ligadas à inteligência artificial para acompanhar a evolução do mercado, mas continuam enxergando a cibersegurança como uma habilidade relevante para operar em ambientes cada vez mais digitais”, destacou Mendonça.

Millennials demonstram maior interesse em cibersegurança

A pesquisa também identificou diferenças entre as gerações. Os Millennials apresentam o maior interesse em desenvolver competências de segurança digital: 40% colocam a área entre suas três principais prioridades de capacitação.

Na Geração X, o percentual é de 35%. Entre os profissionais da Geração Z, chega a 28%, enquanto os Baby Boomers registram 20%.

Na avaliação de Mendonça, o resultado pode estar relacionado à ampliação das responsabilidades ao longo da trajetória profissional, especialmente em atividades que envolvem gestão de riscos, governança e continuidade dos negócios. “Com a evolução da carreira, os profissionais passam a lidar mais de perto com questões de risco, governança e continuidade dos negócios. Por isso, a cibersegurança se torna cada vez mais relevante à medida que ampliam suas responsabilidades e participação em decisões estratégicas”, explicou.

Brasil lidera ranking internacional de valorização da segurança digital

O levantamento também aponta uma diferença entre o Brasil e os demais países pesquisados. Entre os mercados analisados, o país apresenta a maior proporção de gestores de tecnologia que valorizam competências em cibersegurança, com 64%.

O Reino Unido aparece na segunda posição, com 54%, seguido pela Bélgica, com 52%, e pela Suíça, com 51%. França, Holanda e Alemanha registram, respectivamente, 46%, 45% e 43%.

A liderança brasileira reforça o peso atribuído à segurança digital pelas áreas de tecnologia no país. Com a incorporação de ferramentas de IA, serviços em nuvem e sistemas automatizados, proteger dados e processos passa a fazer parte das decisões sobre infraestrutura, desenvolvimento e gestão de tecnologia.

“Os dados mostram que a evolução tecnológica amplia tanto as oportunidades quanto a necessidade de desenvolver competências relacionadas à segurança digital. À medida que novas ferramentas passam a integrar a rotina das empresas, cresce também a importância de proteger dados, sistemas e processos críticos”, acrescentou Mendonça.

O levantamento foi realizado online com gestores responsáveis por contratações na área de tecnologia e profissionais de TI no Brasil, no Reino Unido, na Holanda, na Bélgica, na Alemanha, na Suíça e na França. No Brasil, a pesquisa ouviu 100 gestores e 200 profissionais de tecnologia.

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