Foto: Mikhail Nilov/Pexels

A intensificação global dos aportes em inteligência artificial já reposiciona a governança corporativa e desloca o centro das decisões para o topo das organizações. O levantamento “As AI Investments Surge, CEOs Take the Lead”, do Boston Consulting Group (BCG), indica que a liderança da agenda de IA passou a ser assumida diretamente pelos CEOs, em um movimento que reflete a crescente centralidade da tecnologia na estratégia de negócios e na competitividade entre setores.

Baseado em entrevistas com 2,4 mil executivos em 16 mercados, o estudo mostra que 72% dos CEOs se colocam hoje como principais decisores em IA, o dobro do registrado no ano anterior. A prioridade se sustenta mesmo diante de incertezas: 94% afirmam que manterão os investimentos independentemente de retornos imediatos, enquanto cerca de 90% projetam que a tecnologia vai redefinir critérios de sucesso em seus setores até 2028.

Aportes aceleram enquanto riscos e pressão por resultados crescem

O avanço financeiro acompanha essa mudança de postura. A previsão é que os aportes corporativos em IA dobrem já em 2026, passando de 0,8% para aproximadamente 1,7% das receitas. Ainda assim, persistem desafios estruturais: mais da metade dos executivos cita riscos ligados à privacidade e à cibersegurança, e 41% apontam limitações na compreensão das decisões geradas por sistemas inteligentes. Mesmo com essas barreiras, 82% dos CEOs relatam maior confiança no retorno sobre investimento, e a expectativa é de que agentes de IA passem a gerar resultados mensuráveis no curto prazo.

Alexandre Montoro, diretor executivo e sócio do BCG, destacou em nota que “esse reconhecimento reflete uma convicção clara: a IA não é apenas uma tecnologia, uma ferramenta. Trata-se de um catalisador para uma redefinição completa da organização – da estratégia às operações, da cultura à gestão de risco e ao modelo de talentos. A dimensão dessa transformação é tão profunda que metade dos CEOs acredita que a própria estabilidade de seus cargos depende do sucesso na aplicação da IA”.

Estratégia define ritmo e impacto da IA

O levantamento também organiza três perfis de liderança. A maioria dos CEOs (cerca de 70%) adota uma abordagem pragmática, ampliando investimentos sem promover rupturas profundas. Já os pioneiros, que representam aproximadamente 15%, direcionam esforços para transformações estruturais e concentram até 60% de seus orçamentos de IA em soluções baseadas em agentes, bem acima dos demais grupos. Na outra ponta, os seguidores avançam de forma mais cautelosa, com menor alocação de recursos.

Entre as recomendações, o BCG destaca a necessidade de posicionar a IA como prioridade estratégica, ampliar a fluência executiva no tema e desenvolver capacidades internas para capturar valor de forma consistente. A consultoria também aponta diferenças setoriais relevantes: tecnologia deve liderar os investimentos proporcionais à receita em 2026, seguida por serviços financeiros e pelos segmentos de seguros e energia, que registram a maior aceleração recente.

“A IA aborda muitas das questões que exigem liderança direta do CEO: criar um modelo operacional que incorpore máquinas e humanos; conectar-se diretamente com os funcionários preocupados com o seu futuro; e dar um exemplo positivo de como a IA pode ampliar o julgamento e a engenhosidade humana. À medida que as empresas expandem seus investimentos e os agentes assumem tarefas mais complexas, a influência do CEO aumentará. Por isso, para todos os CEOs, este ano testará a rapidez com que conseguirão transformar intenções em progresso”, finalizou Montoro.

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