Foto: Vinicius Bustamante/Unsplash

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) firmou um contrato de financiamento de R$ 151,8 milhões com a Tree Agroflorestal S.A. (Tree+) para apoiar a restauração ecológica de 15 mil hectares de áreas degradadas no bioma da Mata Atlântica. Os recursos vêm do Fundo Clima – Florestas Nativas e Recursos Hídricos e serão destinados ao plantio e à regeneração de vegetação nativa em territórios do Norte Fluminense, com possibilidade de expansão para regiões do sul do Espírito Santo e da Zona da Mata de Minas Gerais.

O projeto terá foco em áreas legalmente protegidas, como Áreas de Preservação Permanente e Reservas Legais, além de outras áreas destinadas voluntariamente à recomposição ambiental. A iniciativa prevê o uso exclusivo de espécies nativas, com o objetivo de recompor corredores ecológicos, favorecer a recuperação de habitats e estimular o retorno da fauna. Segundo dados do MapBiomas, a Mata Atlântica é o bioma brasileiro com menor cobertura vegetal remanescente, condição que reforça a importância de projetos de restauração em escala.

Restauração florestal com produção rural

A estratégia combina recuperação ambiental com modelos produtivos voltados à sustentabilidade rural. Entre as ferramentas previstas está a adoção de sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), que buscam integrar a restauração florestal com atividades agropecuárias, ampliando a viabilidade econômica para produtores e fortalecendo a gestão da paisagem. A expectativa é que a recomposição da vegetação também contribua para a melhoria da qualidade do solo, aumento da infiltração de água e redução de processos erosivos e alagamentos sazonais.

Além dos impactos ambientais, o projeto prevê efeitos socioeconômicos na região. A fase de implantação pode gerar mais de 800 empregos diretos e indiretos, especialmente em atividades de campo, viveiros de mudas, coleta de sementes e manutenção florestal. A iniciativa também prevê programas de capacitação e incentivo ao empreendedorismo local, com atenção à participação feminina nas cadeias produtivas ligadas à restauração.

O modelo inclui ainda a geração potencial de créditos de carbono associados à remoção de gases de efeito estufa, seguindo metodologias internacionais de certificação. A operação integra a estratégia do BNDES de ampliar o financiamento a projetos de restauração e bioeconomia com espécies nativas. Desde 2023, o banco afirma ter mobilizado mais de R$ 7 bilhões para iniciativas voltadas à conservação e recuperação de florestas no país, em diferentes biomas.

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