
O Brasil se mantém acima da média global em maturidade para adoção de Inteligência Artificial, segundo a terceira edição do “Cisco AI Readiness Index“. O levantamento, que ouviu mais de 8 mil líderes em 30 países e 26 setores, aponta que 18% das empresas brasileiras já são consideradas “referência” em prontidão para IA, frente a 13% no cenário global. Apesar do bom desempenho, o índice nacional recuou em relação à edição anterior, quando 25% das companhias figuravam entre as mais preparadas.
As empresas referência (Pacesetters) apresentam uma combinação de visão estratégica e bases operacionais robustas. Quase todas (99%) contam com roteiro estruturado de IA, ante 58% da média global, e 91% possuem plano formal de gestão de mudanças (contra 35% das demais). Além disso, 79% definem a inteligência artificial como prioridade máxima de investimento, e 96% mantêm estratégias de financiamento de curto e longo prazo.
A infraestrutura é outro diferencial. Sete em cada dez Pacesetters afirmam ter redes flexíveis e escaláveis, e 77% planejam ampliar a capacidade de data centers nos próximos 12 meses. Em inovação, 62% já têm processos maduros para levar pilotos à produção, e 95% monitoram o impacto financeiro e operacional de seus investimentos, número três vezes maior que as demais empresas.
Agentes inteligentes e dívida de infraestrutura
A segurança também se consolida como vantagem competitiva. 87% das companhias referência dizem compreender os riscos específicos da IA, enquanto 62% integram algoritmos aos sistemas de segurança e identidade digital. Essa maturidade se traduz em resultados: 90% relatam ganhos em lucratividade, produtividade e inovação, contra cerca de 60% da média global.
O estudo destaca dois movimentos que estão moldando a próxima fase da adoção corporativa de IA: a expansão dos agentes inteligentes (priorizados por 83% das empresas no mundo e 92% no Brasil) e o avanço da “dívida de infraestrutura de IA”, termo usado para descrever a defasagem técnica e estrutural que ameaça limitar o valor de longo prazo da tecnologia.
Mais da metade das organizações globais (54%) reconhecem que suas redes ainda não estão preparadas para lidar com a complexidade e o volume de dados exigidos pela IA autônoma. Outros 62% projetam um aumento superior a 30% nas cargas de trabalho até 2028, enquanto apenas 26% possuem capacidade robusta de GPU. No Brasil, 41% das empresas ainda se enquadram entre os “seguidores tardios”, com baixa prontidão operacional.
Prontidão organizacional
“Estamos superando a era dos chatbots que respondem a perguntas e entrando na próxima fase importante da IA: agentes que executam tarefas de forma independente. As evidências apontam para uma enorme vantagem competitiva: as empresas que estão mais avançadas estão obtendo retornos significativamente maiores do que seus pares”, afirmou em nota Jeetu Patel, presidente e diretor de Produtos da Cisco.
O relatório mostra que o valor da IA está diretamente ligado à prontidão organizacional. Empresas que alinham estratégia, governança e infraestrutura escalável estão liderando a nova economia impulsionada por sistemas inteligentes.
O relatório completo, em inglês, pode ser obtido neste link.






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