corrosão offshore

Uma inovação desenvolvida no Brasil pode transformar o combate à corrosão offshore, um dos maiores desafios da indústria de óleo e gás. A startup de biotecnologia Microbiotec, em parceria com a Petrobras, iniciou a produção dos primeiros lotes de um produto biológico à base de fagos, nomenclatura dada a vírus naturais que atacam bactérias causadoras da chamada corrosão microbiológica (tipo de corrosão comum em estruturas como plataformas, dutos e tanques instalados no mar).

Atualmente, o controle dessa corrosão é feito com biocidas químicos, substâncias de alto impacto ambiental que precisam ser aplicadas com frequência semanal. A solução com fagos se apresenta como uma alternativa mais sustentável, eficaz e econômica, com potencial de reduzir pela metade a frequência de aplicação e, consequentemente, os custos operacionais.

Menos aplicações, mais eficiência

“Espera-se que uma das principais etapas de validação em campo seja demonstrar que uma menor frequência de aplicação dos fagos, consiga controlar adequadamente a atividade microbiana. Isso poderá refletir em uma economia operacional significativa nas operações offshore”, afirmou em comunicado Sérgio Kuriyama, diretor de operações da Microbiotec. Os micro-organismos combatidos produzem gás sulfídrico (H₂S), que além de tóxico e explosivo, acelera a corrosão e representa riscos à segurança das operações.

A Petrobras, por meio do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento (CENPES), participou das etapas iniciais da pesquisa aplicada em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV). Agora, junto à Microbiotec, avança na produção em escala piloto de milhares de litros da nova solução biológica. Segundo Agildo Moreira, gerente de Tecnologias para Materiais e Corrosão da Petrobras, a substituição dos biocidas por fagos está alinhada à estratégia da empresa, que busca soluções inovadoras que respeitem o meio ambiente e a segurança dos trabalhadores.

Estrutura industrial pronta para escalar

A Microbiotec, uma spin-off da UFV e atualmente controlada pela Investbraz, inaugurou sua planta piloto na cidade de Viçosa (MG) com inestimentos na casa de R$ 10 milhões. A estrutura permite produção piloto de até 2 mil litros em biorreatores de grande porte, com projeção de chegar a 20 mil litros por mês. Os projetos tem sido apoiados pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) através do Instituto Senai de Inovação em Química Verde, ligado à Firjan.

Para Antônio Fidalgo, Gerente de Pesquisa Aplicada da Firjan SENAI, a iniciativa representa um marco para a biotecnologia sustentável no Brasil. “O projeto demonstra a capacidade dos cientistas e pesquisadores nacionais de encontrar soluções ambientalmente responsáveis, eficazes e econômicas para resolver problemas reais em larga escala”, disse também em comunicado.

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