
o processo de transformação digital nas empresas tem se beneficiado de um conceito que já vinha em uso no bastidor mas que, cada vez mais, ganha os holofotes: o Green IT. A prática, que alia tecnologia da informação à sustentabilidade, foi tema de uma conversa entre executivos no Cubo Itaú, em evento que integra a São Paulo Climate Week 2025. Os participantes destacaram como a tecnologia pode, e deve, ser desenhada para reduzir impactos ambientais, aumentar a eficiência e impulsionar a agenda ESG.
Segundo Roberto Celestino, Head de Inovação Digital da NTT Data Brasil, um estudo realizado em parceria com o MIT mostrou que metade das grandes empresas já mede com eficiência o progresso rumo a metas de net zero. No entanto, o levantamento também revelou dois desafios recorrentes: a necessidade de maior capacitação em sustentabilidade e a importância de investimentos dedicados — não apenas financeiros, mas também em pessoas e processos.
Já Paulo Guiné, Head de Desenvolvimento de Negócios da Oracle para América Latina, reforçou que o uso estratégico de infraestrutura em nuvem e tecnologias emergentes exige atenção à pegada ambiental. “Estamos falando de data centers orientados efetivamente a um modelo verde, a um modelo sustentável, a, por exemplo, um simples trato de água adequado, um consumo de energias renováveis”, disse. Ele também destacou a importância da transparência e da governança para a credibilidade das ações sustentáveis, como consoles que informem, em tempo real, o impacto ambiental das operações e que orientem decisões mais responsáveis.
Sustentabilidade desde o código
Um dos pontos altos da conversa foi a discussão sobre o uso mais sustentável da inteligência artificial generativa. A ideia de “código verde” envolve desde a infraestrutura até a elaboração de prompts mais eficientes, diminuindo o consumo de recursos computacionais. Para isso, empresas têm inserido especialistas em sustentabilidade nas equipes de desenvolvimento de software desde as etapas iniciais — um conceito chamado de “Sustainability by Design”.
Além da tecnologia, a cultura organizacional foi apontada como pilar da transformação. A criação de comitês ESG, metas vinculadas à remuneração e lideranças distribuídas por país são algumas das práticas adotadas para garantir o alinhamento local com a estratégia global. “Ter sponsorship global é importantíssimo. Sem isso fica muito difícil. Mas também precisa ter uma atuação local e condizente com o que a gente tem no cenário nacional aqui”, destacou Celestino.
A Oracle também tem apostado em programas de capacitação gamificados e hiperpersonalizados para seus 8 mil colaboradores, especialmente os mais jovens, que demonstram maior engajamento com causas ambientais. Guiné afimou que “tem uma mudança quando você faz e quando você realmente é sustentável, você adota as práticas de sustentabilidade em todas as suas partes da vida”.
Impacto financeiro
A adoção de Green IT, além de reduzir impactos ambientais, também gera retorno financeiro. Projetos de nuvem, por exemplo, eliminam legados tecnológicos caros e ineficientes. A economia de energia e a maior eficiência operacional impactam diretamente no resultado financeiro.
Ao final, os executivos deixaram um recado claro: a transformação não virá por um único projeto grandioso, mas por uma jornada feita de pequenos passos. Para empresas que ainda não começaram, a recomendação é simples: identificar gargalos, iniciar pilotos e fomentar a colaboração entre áreas: de TI ao marketing, da produção ao RH.
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