
Enquanto inteligência artificial avança nas empresas e sociedade, o mesmo não acontece com estratégia e governança. Pelo menos é o que aponta uma pesquisa realizada pelo MIT SMR Brasil e pela Totvs e divulgada durante o Universo Totvs. De 600 empresas ouvidas, apenas 14% relataram possuir uma política formal de governança aplicada à toda empresa. Esse dado mostra o tamanho do desafio de CIOS, CDOs, CAIOS e outros executivos que lideram iniciativas de IA para avançar com a pauta de maneira governada e estratégica.
Parece existir no mercado uma dificuldade persistente em se estabelecer os parâmetros de uma governança para uma tecnologia recente e que ainda muda em velocidade difícil de acompanhar. O resultado tem sido projetos que não avançam e investimentos represados de um lado e shadow AI do outro. Porque se temos executivos preocupados com segurança, acessos e integrações, do outro temos usuários ansiosos por aplicar a tecnologia o quanto antes, e o fazem ignorando políticas corporativas.
Como explicou Cristiano Nóbrega, Chief Data & AI Officer da Totvs, as empresas precisam de regras para destravar o valor da tecnologia. “Se a gente olhar para o uso da IA desgovernada em toda a organização, no final, ela não vai a destravar valor, mas, ao contrário, só a consumir recursos da empresa. E eventualmente, de forma desgovernada, trazendo algum ganho para o indivíduo, mas não de forma tangível para a própria empresa, que quer destravar ganho de produtividade.”.
Para Nóbrega, a maneira como a fabricante redesenha seu portfólio com IA é uma sinalização de uma preocupação fundacional e até para, de certa maneira, contribuir com parte da solução para os problemas de governança nas organizações. “Quando a gente, por exemplo, propõe que essa entrega já aconteça no nível de um agente de IA, a TOTVS está a sinalizar para o mercado que todos esses cuidados de custo, de segurança, de como os dados vão ser utilizados de ponta a ponta, serão resolvidos”.
93% usa de forma desestruturada
O desafio para avançar e gerar resultados com IA passa também pela pressão que as lideranças de tecnologia sofrem para acelerar a implantação da tecnologia. A pressão vem de todos os lados, mas, sobretudo, de CEOs e Conselhos temerosos em perder espaço para concorrência.
Algo essencial nesse cenário é definir o que pode e o que não pode ser feito e até nisso há um gap nas organizações, como ressaltou Gustavo Bastos, vice-presidente de plataformas de TI da Totvs. Além disso, Bastos defende uma gestão de consequências quando a pressão por implantar de forma acelerada vence. “O dono do negócio que pressiona o CIO para fazer uma coisa mais rápida vai ser igualmente impactado se um evento indesejado, como um vazamento ou qualquer coisa nesse sentido, acontecer. E ele tem de estar consciente disso. Ele não pode dizer: ‘ganhei tanto de performance, mas não me importei com essa parte’.”
A falta de governança, problemas de infraestrutura e o clássico e amplamente discutido problema nas bases de dados levam ao assustador número da pesquisa de que 93% das empresas implantam IA de forma desestruturada, ou seja, sem relação com a estratégia corporativa. E isso acaba matando muitas iniciativas. Sem elo com estratégia, dificilmente a organização conseguirá contabilizar ganhos reais para o negócio.
“Quando não tem algo inserido na estratégia, possibilidade do impacto ser significativo é mais baixo. Passamos da etapa de conhecer, estamos nas etapas de adotar e começar a medir, mas ainda estamos com distância importante no impacto. E impacto só acontece quando dentro da estratégia e quando aplica IA em processos críticos”, comentou Dennis Herszkowicz, CEO da Totvs.
Letramento e pessoas

Herszkowicz ressalta que, atualmente, o ganho está no nível CPF e não no CNPJ. Na prática é o seguinte: um colaborador usa IA para ajudar em um texto ou resumo, o ganho é no CPF, mesmo a empresa pagando pela ferramenta. “É gasto corporativo, mas impacto é pequeno. Não está na estratégia da empresa”. resumiu.
A reflexão do CEO da Totvs conversa diretamente com outro dado do estudo que é a falta de coordenação entre áreas. 40% das empresas operam suas iniciativas sem esse diálogo, o que prejudica ainda mais o processo, sobretudo, se encararmos IA como tecnologia transformacional, seja de processo, arquitetura organizacional ou modelo de negócio.
Parte da equação, quando extraímos infraestrutura e governança, passa pela capacitação e orientação das pessoas. A pesquisa mostra que 43% dos colaboradores têm receio de cometer erros por confiar na IA, outros 37% dizem não saber usar as ferramentas. Na outra ponta, algo que assusta, mas não surpreende, apenas 7% das empresas possuem programas de capacitação estruturados para os funcionários.
Se falta governança e elo com estratégia, dificilmente haveria um programa de letramento digital amplo nas empresas. “Capacitação de pessoas é um desafio importante, ainda que ferramentas estejam disponíveis, a inteligência humana é desafio grande para empresas prosperarem”, comentou Bastos. “As pessoas são elementos fundamentais e ajudariam a resolver questões que impactam essa agenda.”
“Quando falamos de inserir IA em processos críticos e integrados, dificilmente foge do human in the loop. Ser humano precisa participar até da responsabilização. Inteligência Humana + IA cada vez mais se mostra essencial”, complementou o CEO da Totvs.






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