
Os países do BRICS querem ampliar a cooperação em tecnologias digitais, inteligência artificial, conectividade e segurança cibernética. A agenda ganhou força durante a 12ª Reunião dos Ministros de Comunicações do bloco, realizada em Pune, na Índia.
O encontro terminou com uma Declaração da Presidência apresentada pelo governo indiano. O documento tem uma particularidade importante: é usado quando os integrantes do grupo não chegam a um consenso sobre uma declaração ministerial conjunta. Por isso, registra os principais resultados e discussões da reunião, mas não representa necessariamente uma posição comum de todos os países.
Entre os pontos defendidos está a construção de ambientes digitais mais acessíveis, seguros, inclusivos e sustentáveis. O objetivo é usar as tecnologias da informação e comunicação (TICs) para apoiar o crescimento econômico, ampliar a inclusão social e modernizar serviços públicos.
Infraestrutura pública digital
Uma das propostas apresentadas pela Índia é a criação de um repositório de Infraestruturas Públicas Digitais (DPIs). A ideia é reunir, em uma plataforma voltada aos países do BRICS, experiências, modelos e materiais técnicos que possam ser aproveitados por outras nações do grupo.
A Índia também sugeriu projetos-piloto para acelerar a adoção dessas infraestruturas. A participação seria voluntária e os projetos poderiam ser adaptados às necessidades de cada país.
A expansão da conectividade continua sendo outro desafio. Os ministros reconheceram que áreas rurais, remotas e pouco atendidas ainda enfrentam dificuldades para acessar serviços de internet. A declaração defende investimentos em redes mais resilientes, eficientes no uso de energia e adequadas às condições de cada território.
“A conectividade significativa e acessível continua sendo um desafio para milhões de pessoas em nossos países. Superar lacunas de infraestrutura, ampliar o acesso em áreas rurais e remotas e fortalecer a resiliência das redes de telecomunicações são objetivos que possuem impacto direto sobre educação, saúde, inovação, competitividade e cidadania”, destacou em nota o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho.
Inteligência artificial ganha espaço
A inteligência artificial foi um dos principais temas da reunião. Os países do bloco reconhecem que a tecnologia pode contribuir para o crescimento econômico e para metas de desenvolvimento sustentável, mas também apontam o risco de a expansão da IA aprofundar diferenças tecnológicas entre países e dentro das próprias sociedades.
“É fundamental que os benefícios da inteligência artificial sejam compartilhados de forma ampla, evitando a ampliação das desigualdades existentes entre e dentro dos países. Para os países do Sul Global, essa discussão possui relevância ainda maior”, apontou o ministro.
A proposta do BRICS é avançar em uma governança de IA que considere transparência, proteção de dados, segurança, confiabilidade e participação humana nas decisões relacionadas ao uso da tecnologia.
A cooperação também deve incluir formação profissional. A declaração defende investimentos em alfabetização digital, ciência de dados, inteligência artificial e capacitação de servidores públicos. A Índia propôs ainda a criação de centros de treinamento para os países do bloco.
Cibersegurança e proteção de infraestrutura
A segurança digital aparece associada a diferentes frentes da agenda do BRICS. O documento menciona preocupações com conteúdos falsos, proteção de crianças e idosos e defesa de estruturas consideradas essenciais para o funcionamento das economias.
Entre os ativos citados estão redes de telecomunicações e centros de dados. A preocupação é que o avanço da digitalização venha acompanhado de mecanismos capazes de aumentar a segurança e a resiliência dessas infraestruturas.
Os cabos submarinos também ganharam destaque nas discussões sobre conectividade. Para os ministros, essas redes são fundamentais para manter o fluxo internacional de dados e aumentar a capacidade de recuperação das comunicações diante de falhas ou interrupções.
O Brasil apresentou iniciativas nacionais como exemplos desse movimento. Os programas Norte Conectado e Nordeste Conectado utilizam cabos de fibra óptica subfluviais e submarinos para ampliar o acesso à internet de alta capacidade em regiões consideradas estratégicas.
“O Brasil já vem transformando essa visão em ações concretas. Os programas Norte Conectado e Nordeste Conectado utilizam a infraestrutura de cabos de fibra óptica subfluviais e submarinos para ampliar a conectividade e levar internet de alta capacidade a regiões estratégicas do país”, complementou Siqueira Filho.






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