
O Brasil registrou em agosto o maior número de ataques de ransomware do ano. Foram 27 casos identificados, o terceiro mês consecutivo de crescimento e um sinal de que o país continua entre os principais alvos dos grupos criminosos que atuam globalmente.
Os dados da plataforma Ransomware.live, acompanhados pela Cohesity, mostram que o avanço não ficou restrito ao mercado brasileiro. Agosto também foi o mês com maior volume global de incidentes dos últimos 12 meses, com 1.212 vítimas registradas. O número representa uma alta de 27% em relação aos 955 casos de julho.
Na comparação com setembro de 2025, quando foram contabilizadas 598 ocorrências, o volume praticamente dobrou.
Brasil na sexta posição global
O Brasil permaneceu na sexta posição entre os países mais afetados por ransomware em agosto. Os Estados Unidos lideraram com 415 casos, seguidos por Alemanha, Itália, Reino Unido e Canadá. O Brasil ficou empatado com a Índia, com 27 ocorrências cada. França e México registraram 24 casos, enquanto a Austrália fechou o grupo dos dez países mais atingidos, com 19.
“Vemos uma expansão clara na mira dos criminosos para além das potências ocidentais tradicionais, e o Brasil reflete diretamente essa descentralização. A aceleração nos ataques exige atualização urgente de defesas e planos de resposta. Quem não conhece seus próprios dados e não treina a recuperação em massa coloca a continuidade da empresa em risco”, explicou em nota Gustavo Leite, vice-presidente da Cohesity para América Latina.
A evolução dos números reforça um desafio que vai além da prevenção. Empresas precisam considerar também a capacidade de recuperar sistemas e dados após um incidente, especialmente em ataques que podem paralisar operações inteiras.
Setor de saúde tem grande crescimento de ataques
A manufatura continuou sendo o setor mais atingido em agosto, com 185 casos, seguida por tecnologia, que registrou 161 ocorrências. Os dois segmentos cresceram em relação a julho. O mercado B2B, que havia liderado o ranking no mês anterior, caiu para a terceira posição, com 136 ataques. Foi o único setor entre os dez principais a registrar redução no período.
Já o setor de saúde teve um dos movimentos mais relevantes do levantamento. Foram 118 incidentes em agosto, uma alta de 38,8% sobre julho. O segmento dividiu a marca de 118 casos com a categoria “outros”, embora apareça na quinta posição do ranking.
“Os ataques constantes a organizações de saúde acarretam um risco operacional específico, dado o potencial impacto na segurança do paciente. É uma preocupação grande e deve provocar uma urgência renovada em relação aos ciclos de aplicação de correções, à segmentação de rede e à preparação para resposta a incidentes”, apontou Leite.
Financeiro e energia também avançam
Serviços financeiros registraram 69 ataques em agosto, com crescimento de 38%. O varejo e o e-commerce contabilizaram 76 casos, enquanto transporte chegou a 44. Agricultura e produção de alimentos registraram 39 ocorrências. Já o setor de energia fechou o mês com 33 casos e apresentou o maior crescimento proporcional entre os segmentos específicos do ranking, com alta de 100% em relação a julho.
A leitura dos dados mostra que os ataques continuam espalhados por diferentes setores da economia. Embora manufatura e tecnologia concentrem os maiores volumes, o avanço em áreas como saúde, finanças e energia amplia a preocupação com o impacto operacional dos incidentes.
Em agosto, o crescimento simultâneo dos casos no Brasil e no cenário global indica que o ransomware segue como uma das principais ameaças à segurança corporativa.






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