Thomas Kurian, CEO do Google Cloud. Foto: Divulgação

O Brasil tem um gap de adoção de agentes de inteligência artificial para resolver: são 62% as organizações implementando e acelerando esses agentes, mas apenas 17% têm os níveis de governança realmente necessários para adotá-los em processos críticos. Os dados são de um estudo feito pelo IDC e pela Provokers, e encomendado pelo Google Cloud – que realiza nesta semana seu evento anual Google Cloud Summit, em São Paulo, capital.

“Agora estamos num mundo de agentes de IA”, sentenciou durante sessão keynote o CEO Global do Google Cloud, Thomas Kurian, que veio ao Brasil para o evento. “Os clientes estão nos dizendo que estão enfrentando problemas como custos, de valor para os negócios e de controles. Nenhum modelo sozinho conserta isso tudo.”

A frase de Kurian é um gancho para falar das vantagens prometidas pela plataforma integrada para agentes da empresa, a Gemini Enterprise Agent Platform (antiga Vertex AI), que seria a resposta para “extrair mais valor dos investimentos em IA”. A arquitetura unificada promete chips de próxima geração específicos para rodar modelos de IA, além de segurança multicamada (também essa impulsionada por IA) e GPUs Nvidia.

É exatamente essa infraestrutura que deve ser ampliada pelo Google Cloud no Brasil. A empresa aproveitou o evento para anunciar que vai dobrar sua “infraestrutura técnica” no País até 2030 para atender a “rápida adoção” do Gemini Enterprise e outros serviços associados do Google Cloud na América do Sul. Isso significa, segundo os executivos da empresa, expandir capacidade de processamento e armazenamento para “IA de alta performance”.

Os termos são vagos porque o Google Cloud é, segundo o Eduardo López, presidente do Google Cloud para a América Latina, “tímido para falar de números”. “O que nós investimos entre 2017 e 2026 em data centers no País vamos duplicar até 2030. Em menos da metade do tempo vamos duplicar o que levamos nove anos para construir”, disse. Questionado a detalhar melhor esse crescimento, o executivo disse que se trata de “produto e capacidade de processamento, não tanto de espaço”.

Seja como for, a partir de 15 de outubro os clientes do Google Cloud no Brasil poderão usar a versão web do Gemini Enterprise já com suporte a processamento local de dados do Gemini 3.5 Flash. A promessa é que essas melhorias garantam “alta disponibilidade, recuperação de desastres e baixíssima latência para cargas de trabalho de IA corporativa críticas”, além de respeitar requisitos regulatórios e soberania de dados.

Para processar essas cargas de trabalho localmente, as máquinas virtuais (VMs) do Google Cloud G4 estarão equipadas com GPUs RTX PRO 6000 Blackwell Server Edition da Nvidia, que segundo a empresa já estão disponíveis na região de nuvem de São Paulo.

Novos recursos e cases

Thomas Kurian, CEO do Google Cloud. Foto: Divulgação

Além do investimento em expansão, o Google Cloud também aproveitou a presença de Kurian para anunciar recursos na plataforma de agentes de IA. Entre eles o Projects (Projetos), para conjuntos de arquivos ou documentos para colaboração em equipe; o Skills Registry (Registro de Habilidades), que promete centralizar e gerenciar as habilidades da organização; e o Agent Sandbox, ambiente isolado para que agentes sejam testados de forma segura.

O CEO global ressaltou bastante os aspectos de segurança da plataforma, especialmente a integração da Wiz, comprada em 2025 por US$ 32 bilhões – a maior aquisição da história do Google Cloud –, e que promete recursos de observabilidade de dados e sistemas armazenados em multicloud. O executivo anunciou a disponibilidade gratuita no Brasil do Red Agent Assessment, que analisa as capacidades de segurança dos ambientes corporativos em nuvem.

Entre os cases de Gemini Enterprise citados no palco estão o Bradesco, que utiliza a plataforma para automatizar análises fiscais, contábeis e contratuais, e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que passou a oferecer um bot de IA no WhatsApp para oferecer aos orientação técnica a “milhões” de produtores rurais brasileiros.

Adoção e maturidade

A segunda edição do estudo do Google Cloud com o IDC e a Provokers, chamado “Work: In Progress – Descobertas de como a IA está transformando o trabalho”, descobriu que a maturidade digital no Brasil cresceu, com 59% dos entrevistados dizem que trabalham com agentes de IA (contra 54% na América Latina) e 71% usam assistentes (vs 63%).

No entanto, parte relevante desse avanço é impulsionado pelos próprios trabalhadores, e as organizações têm demorado para promover uma maior integração entre uso de IA e sistemas corporativos, políticas de governança e treinamento estruturados. São 38% os brasileiros que dizem usar agentes de IA pessoais no trabalho. Desses, 59% acham que esse comportamento oferece risco baixo ou nulo para a empresa.

Segundo 46%, agentes de IA incorporados nativamente às ferramentas diárias de trabalho são preferíveis, acima da média regional de 37%. No entanto, falta integração: cerca de 29% apontam que o agente oferecido pela empresa não se integra ou não funciona com aplicativos e soluções de outras marcas usadas no dia a dia, um gargalo sentido mais no Brasil do que na América Latina em geral (21%).

O estudo ouviu 3.200 respondentes da América Latina (650 deles no Brasil, mas também na Argentina, Chile, Colômbia e México) entre junho e julho de 2026. Na amostragem estavam profissionais maiores de 18 anos que trabalham em empresas de médio e grande porte e usuários de soluções de produtividade e colaboração corporativa.

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