Subestação Bauru. Foto: Divulgação/ISA ENERGIA BRASIL

A ISA ENERGIA BRASIL iniciou a instalação do primeiro reator de 460 kV da América Latina a operar com óleo vegetal como fluido isolante e de refrigeração. O equipamento será instalado na Subestação Bauru, no interior de São Paulo, como parte de um pacote de modernização da infraestrutura elétrica da companhia. O projeto recebeu investimento de cerca de R$ 18 milhões aprovado pela Aneel e marca um avanço tecnológico voltado à descarbonização do sistema de transmissão de energia.

Desenvolvido pela Hitachi Energy, o reator substitui o uso tradicional de óleo mineral derivado de petróleo por um composto renovável de origem vegetal. A tecnologia foi projetada para aplicações de alta tensão e busca ampliar a segurança operacional das subestações, ao mesmo tempo em que reduz impactos ambientais associados à operação do sistema elétrico.

“A substituição do insumo derivado de petróleo por uma alternativa vegetal, de origem renovável, reforça o compromisso da ISA ENERGIA BRASIL com iniciativas que impulsionam a transição energética de forma limpa e está alinhada plenamente à nossa Estratégia 2040. Esse projeto inédito é a demonstração de que é possível evoluir a infraestrutura do setor elétrico aliando confiabilidade operacional e sustentabilidade”, destacou em nota Dayron Urrego, Diretor-executivo de Projetos da ISA ENERGIA BRASIL.

Tecnologia reforça segurança da rede elétrica

Transformador. Foto: Divulgação/Hitachi Energy

Os reatores shunt desempenham papel estratégico na estabilidade da rede de transmissão. Esses equipamentos absorvem potência reativa excedente, evitando oscilações e elevação de tensão em linhas extensas ou em períodos de baixa demanda. A função é considerada essencial para manter a operação do Sistema Interligado Nacional dentro dos parâmetros técnicos de segurança e eficiência.

O projeto prevê a instalação de quatro reatores monofásicos de derivação, cada um com capacidade de 66,67 MVAr. Cada unidade utilizará aproximadamente 14,7 mil litros de óleo vegetal, somando quase 59 mil litros do fluido renovável. A primeira unidade chega à Subestação Bauru em maio, enquanto as demais estão previstas para agosto.

Alexandre Malveiro, Hub Latin America Manager da unidade de negócios Transformers da Hitachi Energy, explicou também em nota que “as quatro unidades monofásicas são os maiores reatores shunt já fornecidos globalmente pela Hitachi Energy. O uso de óleo vegetal nesse nível de tensão representa um avanço significativo na colaboração entre a ISA ENERGIA BRASIL e a Hitachi Energy, e reforça o compromisso de ambas as empresas com um futuro mais sustentável para o desenvolvimento das redes elétricas”.

Engenharia de alta complexidade

A modernização da Subestação Bauru integra um programa mais amplo de reforços e melhorias da ISA ENERGIA BRASIL, com investimentos estimados em R$ 190 milhões. O pacote inclui atualização de equipamentos, novos sistemas operacionais e ações voltadas ao aumento da confiabilidade energética. Segundo a companhia, as obras também devem gerar mais de 100 empregos diretos e indiretos.

A aplicação do óleo vegetal em equipamentos de 460 kV exigiu desenvolvimento específico de engenharia. De acordo com a Hitachi Energy, o projeto mobilizou equipes globais e locais para adequação de materiais isolantes, processos industriais e logística de fabricação. O desafio técnico está relacionado à operação em níveis elevados de tensão, que demandam controle rigoroso sobre desempenho térmico e isolamento elétrico.

Fluido vegetal reduz emissões e amplia segurança operacional

Além da substituição de um insumo fóssil, o projeto busca reduzir riscos operacionais. O fluido vegetal apresenta maior resistência à combustão em comparação ao óleo mineral e possui certificação internacional FM Global para segurança contra incêndios. A biodegradabilidade também aparece entre os diferenciais da tecnologia, com índice superior a 99% em cerca de dez dias.

O design otimizado do reator permitiu reduzir em 20% a pegada de carbono relacionada ao uso de materiais no equipamento. A estimativa é de diminuição de aproximadamente 11% nas emissões totais ao longo do ciclo de vida da unidade. Em 2025, a ISA ENERGIA BRASIL anunciou metas de neutralidade de carbono até 2050, incluindo redução de 60% das emissões até 2040 e corte absoluto de 90% até 2050 nos escopos 1, 2 e 3. Entre as ações em andamento estão controle de emissões de SF6, expansão de geração solar própria e redução do consumo de combustíveis fósseis.

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