
A inteligência artificial já começa a mudar a rotina dos departamentos de RH, mas a tecnologia ainda esbarra em um problema básico: sistemas que não conseguem trocar informações de forma adequada. Uma pesquisa da LG lugar de gente com a FIA Business School mostra que 79% das áreas de recursos humanos no Brasil trabalham com softwares sem integração ou conectados apenas parcialmente.
O levantamento ouviu 1.130 profissionais durante o CONARH 2026 e aponta uma diferença relevante na eficiência. Entre as empresas que centralizaram ferramentas e dados em uma única plataforma, os profissionais relatam uma economia de até 8,5 horas por semana. Nas organizações com sistemas isolados, a redução de tempo fica em 4,9 horas semanais.
A distância de 3,6 horas por semana representa uma economia de tempo 73% maior nas empresas com ambientes integrados. O estudo também mostra que apenas 5% das organizações pesquisadas já contam com uma plataforma centralizada capaz de conectar ferramentas e bases de dados de ponta a ponta.
Felipe Azevedo, CEO da LG lugar de gente, destacou que a qualidade da arquitetura de dados interfere diretamente na capacidade de ampliar o uso da IA. Em nota Azevedo apontou que “a capacidade de execução de um agente de IA depende do acesso fluido ao contexto e às informações necessárias para realizar uma tarefa”.
O problema pode ficar mais complexo conforme as empresas adicionam novos agentes de IA. Entre as organizações que utilizam seis ou mais agentes, 59% ainda trabalham com sistemas isolados ou parcialmente integrados. A multiplicação de ferramentas, portanto, não necessariamente elimina tarefas manuais quando os dados continuam espalhados em diferentes ambientes.
Arquitetura vira peça central
A pesquisa também relaciona o nível de integração ao modelo de desenvolvimento e contratação das tecnologias usadas pelo RH. Empresas que desenvolvem soluções internamente registram o maior percentual de sistemas isolados, de 43%.
Já entre as companhias que utilizam plataformas unificadas disponíveis no mercado, 16% possuem ambientes centralizados. O índice cai para 6% entre as organizações que desenvolvem suas próprias soluções. Em ambientes mais heterogêneos, a conexão entre sistemas tende a exigir uma combinação maior de APIs, padrões de governança e uma arquitetura preparada para interoperabilidade.
A presença de profissionais especializados em IA e dados também aparece associada a níveis maiores de integração. Entre os RHs que possuem equipes com esse tipo de conhecimento, 46% já utilizam uma plataforma centralizada, enquanto 11% ainda mantêm sistemas isolados. Nas empresas sem uma estrutura especializada em tecnologia, a fragmentação chega a 52%.
Dados precisam circular
A transformação tecnológica do RH passa por uma mudança de foco, saindo da simples adoção de ferramentas para uma arquitetura capaz de conectar os diferentes processos da área.
“A discussão sobre tecnologia no RH está migrando da contratação de ferramentas para a orquestração da IA. Sem a integração das bases de folha de pagamento, ponto, recrutamento e desenvolvimento, o profissional de RH continua atuando como uma ponte manual entre softwares. A integração é um pré-requisito técnico para ampliar a capacidade da inteligência artificial de executar rotinas e gerar impacto para o negócio”, complementou Azevedo.
O levantamento comtemplou profissionais de 26 estados brasileiros e mais de 40 setores da economia. Entre os participantes, 45% trabalham em empresas com mais de mil funcionários e 33% ocupam posições de gestão ou diretoria.






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