
A inteligência artificial está aumentando a pressão sobre os CIOs, mas ainda não ocupa o centro das responsabilidades atribuídas ao cargo. Apenas 17% dos líderes de tecnologia consideram a entrega de soluções de IA uma função central do CIO. Ao mesmo tempo, 54% afirmam que os investimentos em inteligência artificial já apresentam retorno positivo.
Os dados são do “CIO 2026 Outlook”, estudo da Experis, marca do ManpowerGroup voltada à contratação e gestão de profissionais de tecnologia. A pesquisa ouviu 1.930 líderes seniores de tecnologia em 12 países.
Tecnologia mais próxima do negócio
A busca por resultados também está mudando as prioridades dos CIOs. Pela primeira vez, alinhar a estratégia de TI às metas do negócio aparece como a principal ação apontada pelos executivos, com 48% das respostas. O índice era de 34% em 2025.
A prioridade superou o fortalecimento da cibersegurança, citado por 37% dos entrevistados. Isso mostra que a área de tecnologia está sendo cobrada não apenas pela operação dos sistemas, mas também pela capacidade de contribuir diretamente para os resultados da empresa.
Porém o desafio é acompanhar a velocidade das mudanças. Para 44% dos CIOs ouvidos, o ritmo das transformações tecnológicas é o principal obstáculo para a gestão. Além disso, 61% dizem que a alta liderança ainda não compreende completamente as atribuições e o papel estratégico do CIO. Em 2025, essa percepção estava em 49%.
Jorge Gamero, diretor da Experis para a América Latina, explicou em nota que “na América Latina, vemos uma dupla realidade: de um lado, organizações que estão acelerando a adoção de inteligência artificial, e de outro, uma lacuna importante no alinhamento entre tecnologia e negócios. O desafio para os CIOs na região não é apenas demonstrar o ROI, mas fazer isso em contextos onde a maturidade digital ainda é desigual”.
Brasil amplia busca por talentos de IA
A transformação também aparece no mercado de trabalho brasileiro. Dados da “Pesquisa de Expectativa de Emprego — MEOS Q3 2026” indicam que empresas dos setores de Informação e Serviços de TI estão dispostas a pagar mais por profissionais com competências ligadas à inteligência artificial.
O desenvolvimento de aplicações e modelos de IA é a habilidade mais valorizada nesse levantamento. A competência é citada por 86% das empresas dos dois setores como um dos critérios para oferecer remuneração acima da média. O letramento em IA aparece na sequência. A capacidade de aplicar ferramentas de inteligência artificial nas atividades profissionais é considerada relevante para 83% das empresas de Informação e 81% das companhias de Serviços de TI.
As competências tradicionais também continuam importantes. Conhecimentos em tecnologia e dados são apontados, respectivamente, por 77% e 78% dos contratantes desses segmentos como critérios associados a salários maiores.
CIO assume papel mais estratégico
Para a Experis, os dados mostram que a transformação do cargo depende de uma aproximação maior entre tecnologia e áreas de negócio. A adoção de IA amplia a necessidade de justificar investimentos, medir resultados e conectar projetos tecnológicos a objetivos corporativos.
“Nos mercados latino-americanos, o papel do CIO está evoluindo rapidamente para uma função mais estratégica, mas ainda há uma importante oportunidade para fortalecer a compreensão desse papel dentro do negócio. Sem esse alinhamento, mesmo as melhores iniciativas de IA correm o risco de ficar no nível das expectativas e não gerar impacto”, acrescentou Gamero.






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