Foto: Israel Andrade/Unsplash

A inteligência artificial está se tornando, sem dúvidas, um divisor de águas no mundo corporativo. Um levantamento da IDC, encomendado pela Microsoft Brasil, mostra que a tecnologia já deixou de ser vista apenas como uma ferramenta de inovação para assumir um papel central na competitividade das grandes empresas. Entre os executivos ouvidos, 88% acreditam que a IA será o principal motor de competitividade até 2030, enquanto 90% consideram que ela se tornará um diferencial estratégico em seus setores.

A pesquisa “Impacto nos Negócios pela Adoção de IA no Brasil” entrevistou 73 executivos C-level de empresas com mais de mil funcionários e revela um mercado em transição para uma etapa mais avançada de adoção. Atualmente, 41% das organizações utilizam inteligência artificial em iniciativas ainda restritas, mas 23% já operam a tecnologia em escala, aplicada a múltiplas áreas de negócio. A expectativa é que esse percentual alcance 51% nos próximos dois anos.

Eduardo Campos, vice-presidente da área de Soluções Tecnológicas da Microsoft Brasil, contou em nota que “o mercado brasileiro está evoluindo rapidamente da experimentação à implementação em escala. Hoje, seis a cada dez executivos (58%) já consideram a IA generativa e agentes como as tecnologias mais estratégicas para viabilizar prioridades dos negócios nos próximos dois anos. Como resultado, observamos um movimento acelerado de integração entre tecnologia, áreas de negócios e liderança executiva para transformar ganhos pontuais em vantagem competitiva sustentável”.

Ganhos operacionais e impacto nos resultados

Os dados indicam que os benefícios da inteligência artificial já aparecem de forma concreta nos indicadores corporativos. As empresas relatam ganhos médios de 24,5% associados às iniciativas de IA. Os principais impactos foram registrados na satisfação dos clientes (28,2%), eficiência operacional (27,7%), mitigação de riscos (26,9%) e aceleração do lançamento de produtos e serviços (25,2%).

O estudo também aponta reflexos diretos na produtividade e no desempenho financeiro. Cerca de 24% dos executivos afirmam que a tecnologia está aumentando a produtividade dos colaboradores, enquanto 19,7% relatam crescimento de receitas impulsionado pela adoção de IA.

Os resultados ajudam a explicar o aumento dos investimentos corporativos na área. Atualmente, 28% dos orçamentos destinados à inovação e transformação digital já estão vinculados a projetos de inteligência artificial. A projeção é que essa participação alcance 45% até 2028. Além disso, mais da metade dos entrevistados (52%) avalia que empresas que não ampliarem a adoção da tecnologia tendem a perder espaço competitivo em seus mercados.

Agentes de IA avançam nas empresas

O levantamento destaca os agentes de IA como uma das principais tendências da próxima fase de transformação digital. Essas soluções são capazes de executar tarefas específicas de forma autônoma ou semiautônoma, apoiando processos de negócios em diferentes áreas.

Hoje, 56% das empresas já utilizam agentes de IA em projetos de experimentação ou em ambientes produtivos. As aplicações mais frequentes estão concentradas em atendimento ao cliente, marketing e cibersegurança. Até 2028, a expectativa é que a adoção alcance 69% das organizações.

A pesquisa associa esse movimento ao surgimento das chamadas Frontier Firms, modelo organizacional no qual a inteligência artificial passa a fazer parte da rotina de todos os departamentos. Nesse cenário, profissionais assumem funções de coordenação, supervisão e gestão de agentes digitais especializados.

Segurança e governança ganham prioridade

O avanço da IA também amplia a atenção das empresas para temas relacionados à segurança da informação, proteção de dados e governança tecnológica. Segundo o estudo, 96% das organizações aumentaram os investimentos em iniciativas de segurança associadas ao uso da inteligência artificial. As prioridades incluem automação de segurança, proteção de dados corporativos, controle de identidade digital e fortalecimento da infraestrutura em nuvem.

“As empresas no Brasil já compreenderam que o potencial competitivo da IA só será alcançado mediante a adoção responsável e segura. Por isso, notamos um movimento de incentivo à adoção de soluções corporativas e que não usem informações estratégicas de negócios para treinamento da IA. Da mesma forma, líderes de segurança cibernética estão implementando ferramentas de controle, identidade e observabilidade para garantir a atuação de agentes de IA dentro das normas de segurança internas e em conformidade com a legislação”, complementou Campos.

Para Luciano Ramos, Country Manager da IDC Brasil, o mercado nacional inicia uma nova etapa de maturidade tecnológica. Em nota o executivo destacou que “o mercado brasileiro já avançou além da fase inicial de adoção de inteligência artificial e entra agora em um novo ciclo, em que o foco das organizações está em escalar iniciativas com impacto concreto no negócio. Nesse contexto, ganha destaque a necessidade de integrar governança, segurança e ética em uma abordagem única de IA responsável, ao mesmo tempo em que a capacitação da força de trabalho se consolida como um fator decisivo para capturar valor. A evolução dos agentes de IA reforça esse movimento, enquanto a confiança das empresas tende a crescer à medida que resultados reais e casos comprovados passam a orientar as decisões de investimento”.

Escassez de talentos continua sendo desafio

Embora a adoção da IA avance rapidamente, a formação de profissionais qualificados permanece entre os principais obstáculos para a expansão da tecnologia. Três em cada dez executivos apontam a falta de talentos especializados como uma barreira relevante para acelerar projetos de inteligência artificial.

Como resposta, 86% das empresas estão ampliando investimentos em capacitação de equipes de tecnologia da informação, enquanto 71% direcionam treinamentos para áreas de negócios.

O impacto da IA também já influencia estratégias de atração e retenção de profissionais. Cerca de 43% dos executivos relatam dificuldades para contratar e manter talentos devido ao atraso na adoção da tecnologia. Paralelamente, 70% das organizações estão revisando atribuições internas diante dos ganhos de produtividade gerados pela IA, e 63% já criaram funções específicas relacionadas ao tema.

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