Claudio Bannwart, country manager da Netskope no Brasil. Foto: Divulgação

A adoção de inteligência artificial no varejo avançou como em muitos setores da economia, mas trouxe um problema que vai além da escolha das ferramentas. Dados pessoais, informações de pagamento e outros dados regulamentados já respondem por 56% das violações de políticas relacionadas ao uso de IA no setor, segundo o “Relatório Varejo 2026” do Netskope Threat Labs.

O código-fonte aparece em seguida, com 20% das ocorrências. Senhas e chaves de API representam outros 16%. Os números mostram que a expansão da IA está acontecendo junto com um aumento da quantidade de informações corporativas e de clientes que circulam por essas aplicações.

Uso de IA dispara nas empresas

A presença da tecnologia nas operações do varejo cresceu de forma significativa no último ano. A parcela de funcionários que utiliza ativamente aplicações de IA passou de 39% para 65%.

O avanço também aparece no alcance das ferramentas. Atualmente, 97% dos funcionários utilizam aplicações que incorporam recursos de IA. Além disso, 90% interagem com sistemas capazes de usar dados de clientes ou usuários no treinamento de modelos.

As empresas também estão tentando concentrar esse uso em ambientes sob gestão corporativa. A participação de aplicações de IA administradas pelas próprias organizações subiu de 40% para 73%.

Isso não eliminou, porém, o uso de ferramentas pessoais. Cerca de 44% dos funcionários ainda utilizam aplicações de IA por conta própria. A fronteira entre os dois ambientes também ficou menos clara: a parcela de usuários que alternam entre contas pessoais e corporativas aumentou de 11% para 18%.

Agentes ampliam conexões

A evolução não acontece apenas na quantidade de usuários. A arquitetura das aplicações de IA também está ficando mais conectada aos sistemas corporativos.

Segundo o levantamento, o número de agentes de IA que se comunicam com servidores remotos baseados no Model Context Protocol (MCP) cresceu cerca de 400%. A atividade envolvendo MCP avançou aproximadamente 300%.

Na prática, essas conexões permitem que sistemas de IA acessem ferramentas externas e diferentes fontes de dados. Para as empresas, isso aumenta a necessidade de saber quais aplicações estão em uso e, principalmente, quais informações podem ser acessadas por elas.

Para Claudio Bannwart, country manager da Netskope no Brasil, o desafio também está relacionado à presença da IA em ferramentas que já fazem parte da rotina das equipes. Em nota o executivo destacou que “no varejo, a Inteligência Artificial está bem presente no atendimento ao consumidor e em diferentes processos da operação, muitas vezes incorporada a aplicações que as equipes já utilizam. Para as empresas, o foco agora é usar a tecnologia sem perder o controle sobre os dados pessoais e de pagamento, as identidades e as ações executadas pelos agentes de IA. O desafio é ter visibilidade sobre quais informações esses sistemas acessam, o que fazem com elas e a quem entregam suas respostas”.

Gianpietro Cutolo, pesquisador de ameaças em nuvem da Netskope, apontou também em nota que “os varejistas estão avançando além da simples experimentação com IA e começando a incorporá-la às operações diárias, às experiências dos clientes e aos fluxos de trabalho dos negócios. Mas, à medida que a IA se conecta de forma mais profunda aos dados e sistemas que sustentam os negócios do varejo, fica mais difícil separar os riscos das oportunidades. O desafio não é mais decidir se a IA deve ser utilizada, mas garantir que ela possa ser usada na velocidade que o negócio exige sem perder o controle dos dados sensíveis dos clientes e da empresa. Os varejistas que conseguirem combinar a velocidade da adoção da IA com visibilidade e governança reforçadas estarão em melhor posição para transformar a IA em uma vantagem competitiva sem criar riscos desnecessários”.

Dados enviados concentram violações

O estudo mostra ainda que a maior parte das violações relacionadas à IA acontece antes mesmo de a ferramenta gerar uma resposta. Cerca de 85% dos casos ocorrem no chamado upstream, envolvendo informações enviadas para aplicações de IA.

O downstream, relacionado ao conteúdo produzido pelas ferramentas, representa 9,5% das violações. Outros 2,5% estão ligados à filtragem de conteúdo.

A pesquisa identificou ainda um crescimento de 400% nas atividades de iscas maliciosas com temática de IA entre dezembro de 2025 e março de 2026. Aplicações de IA também apresentaram links maliciosos para usuários do varejo que acabaram clicando neles.

A frequência dessas ocorrências variou de aproximadamente 40 a mais de 160 casos para cada 100 mil usuários por semana.

Quais ferramentas estão sendo usadas

O levantamento aponta diferenças importantes entre adoção e bloqueio de aplicações. A Particular Audience aparece como a aplicação de IA mais frequentemente bloqueada no varejo, com restrições em 46% das empresas pesquisadas.

Na sequência estão ZeroGPT, bloqueada por 37% das organizações, e Landbot e DeepSeek, ambas com 34%.

Entre as plataformas mais utilizadas, Claude, da Anthropic, está presente em 96% das empresas de varejo. O ChatGPT aparece em 84%, enquanto o Claude Code é utilizado por 83%.

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