Foto: GettyImages/Divulgação

A expansão dos serviços digitais aumentou a exposição dos brasileiros a golpes e ataques cibernéticos, mas os hábitos de segurança ainda deixam brechas. Embora 86% dos adultos no país afirmem ter enfrentado alguma ameaça digital nos últimos 12 meses, menos de quatro em cada dez dizem usar sempre senhas exclusivas e seguras em suas contas. Os dados são do estudo “LATAM Cybersecurity Landscape Study 2026”, da Norton.

O levantamento também aponta que 89% dos entrevistados acreditam que as ameaças cibernéticas aumentaram no Brasil no último ano. O resultado indica que a percepção de risco está disseminada, mas não se traduz necessariamente em medidas preventivas consistentes.

Mais atividade online, mais exposição

A rotina digital ajuda a dimensionar o desafio. Segundo a pesquisa, 90% dos brasileiros adultos acessam redes sociais diariamente, enquanto metade realiza operações bancárias pela internet todos os dias. O uso frequente de ferramentas ou assistentes de inteligência artificial também já faz parte do cotidiano de 51% dos participantes.

A multiplicação de contas e serviços conectados amplia as oportunidades de ataque. Redes sociais, aplicativos financeiros, plataformas de compras e ferramentas de IA concentram informações pessoais e acessos que podem ser explorados por criminosos.

O relatório de ameaças do primeiro semestre de 2026 da Gen, empresa responsável pela Norton, aponta que os cibercriminosos têm explorado serviços e ambientes digitais conhecidos para dificultar a identificação de fraudes. Isso significa que uma interação aparentemente legítima também pode esconder tentativas de roubo de dados ou credenciais.

Senhas e autenticação ainda são pontos fracos

Mesmo com a exposição crescente, as medidas básicas de proteção não são adotadas de maneira universal. Apenas 38% dos brasileiros afirmam usar sempre senhas fortes e diferentes para cada conta. A autenticação de dois fatores, que acrescenta uma etapa de verificação ao login, é utilizada consistentemente por apenas 34%.

O estudo mostra ainda que 12% dos entrevistados não utilizam nenhuma ferramenta de cibersegurança. Outros 20% dependem exclusivamente dos recursos de proteção já incluídos em seus dispositivos.

Esses números evidenciam uma diferença entre reconhecer o avanço das ameaças e incorporar práticas para reduzir os riscos. A reutilização de senhas, por exemplo, pode permitir que o vazamento de uma credencial comprometa várias contas. Já a ausência de uma segunda etapa de autenticação reduz as barreiras contra acessos indevidos.

Proteção depende de tecnologia e comportamento

Iskander Sanchez-Rola, diretor sênior de IA e inovação na Norton, destacou em nota que “a forma como usamos a internet continua evoluindo, e nossa proteção precisa evoluir junto. Hoje, as pessoas realizam uma parte significativa de suas atividades diárias online, o que significa que proteger uma conta, uma identidade ou uma transação é tão importante quanto proteger o dispositivo usado para acessar esses serviços. A tecnologia pode nos ajudar a responder a ameaças cada vez mais sofisticadas, mas manter bons hábitos de cibersegurança continua sendo fundamental para essa proteção”.

Entre as medidas recomendadas pela empresa estão criar senhas fortes e exclusivas para cada serviço, ativar a autenticação de dois fatores e manter sistemas operacionais e aplicativos atualizados. As atualizações podem corrigir falhas conhecidas que seriam exploradas em ataques.

Outra orientação é confirmar pedidos suspeitos por canais oficiais independentes, principalmente quando houver solicitações de pagamentos, senhas ou outros dados pessoais. A recomendação vale mesmo quando a mensagem parece vir de uma empresa ou plataforma conhecida.

A Norton também sugere o uso de soluções de cibersegurança que reúnam diferentes camadas de proteção para dispositivos, privacidade e identidade. Essas ferramentas podem complementar os cuidados individuais, mas não eliminam a necessidade de verificar mensagens, links e solicitações antes de agir.

O estudo foi conduzido pela Dynata, por meio de entrevistas online realizadas no Brasil com 1.003 adultos com 18 anos ou mais.

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