
A inteligência artificial e a digitalização devem mudar a forma como as mineradoras brasileiras operam e competem nos próximos anos. A avaliação é do estudo “Global Mine 2026: da ambição à ação”, da PwC, que aponta a tecnologia como uma das principais ferramentas para elevar produtividade, reduzir custos e melhorar a eficiência operacional.
O Brasil parte de uma posição considerada favorável, especialmente pelo potencial mineral e pelo nível de adoção de tecnologias digitais. O desafio está em transformar essa vantagem em resultados concretos, conectando IA e dados às decisões estratégicas das empresas. Apesar desse potencial, a mineração ainda apresenta maturidade digital inferior à de outros setores e é necessário um ambiente regulatório que favoreça investimentos e inovação.
A tecnologia também pode ampliar os ganhos ambientais e de segurança. Entre as aplicações estão o uso mais eficiente da água, o monitoramento de estruturas e a retirada preventiva de trabalhadores de áreas de risco. A melhoria na qualidade e rastreabilidade dos dados ainda pode fortalecer processos de governança e transparência.
Patrícia Seoane, sócia e líder do setor de Mineração da PwC Brasil, apontou em nota que “a oferta de recursos naturais não garante o sucesso na corrida pelos minerais críticos. Países com excelentes reservas podem deixar o valor econômico estagnado sem um rápido licenciamento, capital adequado ou tecnologia de processamento eficiente. O verdadeiro benefício econômico duradouro está na nossa capacidade no Brasil de transformar o potencial mineral em projetos operacionais viáveis e com capacidade de processamento”.
IA como estratégia de negócio
Para Patrícia, a inteligência artificial pode ter impacto maior quando deixa de ser utilizada apenas em projetos pontuais. A integração com dados, governança e planejamento empresarial é apontada como caminho para converter ganhos tecnológicos em retorno financeiro. “A inteligência artificial e a digitalização são os grandes divisores de águas para a produtividade operacional, especialmente quando há uma queda na produção por trabalhador no mercado global. O Brasil chega com vantagem tecnológica no setor, mas o real diferencial competitivo das mineradoras é utilizar a IA não apenas para eficiência isolada, mas de forma integrada à estratégia de negócios e apoiada em estruturas sólidas de governança e dados para destravar valor financeiro real”, destacou a executiva.
A pressão por produtividade ocorre em um momento de aumento da demanda por minerais considerados estratégicos. Cobre, lítio, terras raras e outros insumos ganham importância com a expansão da transição energética e da infraestrutura digital.
Isso amplia a necessidade de projetos capazes de combinar reservas minerais, capacidade de processamento e tecnologia. Também aumenta a importância de regras que deem mais previsibilidade para investimentos de longo prazo.
Mineração precisa de mais capital
O levantamento mostra que as maiores mineradoras globais tiveram um desempenho positivo em 2025. As receitas das 40 maiores empresas analisadas avançaram 3,3% e chegaram a US$ 909 bilhões. O lucro líquido combinado alcançou US$ 120 bilhões, favorecido pelo controle de custos e pelos preços elevados de metais preciosos e cobre.
Mesmo com empresas capitalizadas, existe uma dificuldade global para financiar novos projetos de mineração. A PwC aponta que licenciamento mais rápido, segurança regulatória e mecanismos capazes de reduzir riscos são importantes para atrair investidores.
O mercado de fusões e aquisições também mostra a concentração do interesse em minerais estratégicos. O número de transações concluídas caiu 20% em 2025, mas o valor total dos negócios ultrapassou US$ 70 bilhões. Ouro, prata, cobre e lítio responderam por 70% desse montante.
Brasil busca transformar potencial em projetos
A combinação entre recursos minerais, tecnologia e capacidade de processamento pode dar ao Brasil uma oportunidade de ampliar sua participação no mercado global. Para isso, porém, será necessário avançar em infraestrutura, licenciamento e segurança jurídica.
“Neste contexto global, o Brasil reúne atributos que o colocam em posição privilegiada para capturar uma parcela relevante desse fluxo global de investimentos. Além de uma base mineral diversificada e significativa presença em minerais estratégicos para a transição energética, o país tem a oportunidade de fortalecer sua competitividade por meio de avanços em licenciamento, segurança regulatória, infraestrutura e agregação de valor às cadeias produtivas. Em um cenário de crescente demanda por cobre, lítio, terras raras e outros minerais críticos, os investidores buscam projetos capazes de combinar potencial geológico, previsibilidade e sustentabilidade de longo prazo”, acrescentou Patrícia.
O relatório completo (em inglês) está disponível neste link.






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