
A aplicação da inteligência artificial na saúde está passando a ser parte da rotina hospitalar, especialmente em áreas onde decisões precisam ser tomadas com rapidez e alto grau de precisão. Em unidades de terapia intensiva (UTIs), a combinação entre prontuários eletrônicos, análise automatizada de dados e suporte à decisão clínica vem transformando a gestão assistencial, reduzindo o tempo dedicado a atividades administrativas e ampliando a disponibilidade das equipes para o atendimento direto aos pacientes.
Esse movimento acompanha o aumento da complexidade dos cuidados intensivos, impulsionado pelo crescimento do volume de informações clínicas produzidas durante a internação. Foi nesse cenário que a Samel implementou a plataforma de inteligência artificial SAMIA, integrada ao prontuário eletrônico. Segundo a instituição, a solução reduziu em até 50% o tempo que médicos dedicam a tarefas burocráticas, permitindo maior foco na avaliação clínica e no acompanhamento dos pacientes internados.
Tecnologia otimiza o fluxo assistencial
A plataforma atua como um sistema de suporte clínico em tempo real. A tecnologia reúne automaticamente informações como sinais vitais, exames laboratoriais, histórico médico, prescrições e balanço hídrico, organizando os dados em poucos segundos. Além de estruturar evoluções médicas, a ferramenta também gera alertas relacionados à segurança medicamentosa, incluindo possíveis interações entre medicamentos, doses inadequadas e inconsistências na administração de tratamentos.
A utilização de inteligência artificial foi estruturada em quatro frentes principais: interpretação inteligente do histórico do paciente, apoio à tomada de decisão clínica, elaboração automatizada das evoluções médicas e fortalecimento da segurança medicamentosa e da governança clínica.
Os ganhos também alcançam situações de maior complexidade. Antes da adoção da plataforma, a preparação para discussões clínicas que exigiam análise de exames, histórico do paciente e consulta à literatura médica podia consumir até dois dias. Com a automatização desse processo, a consolidação das informações passou a ocorrer em segundos.
Mais precisão no cuidado intensivo
Em um dos atendimentos registrados pela instituição, a plataforma localizou o histórico de uma cirurgia neurológica realizada cerca de um ano e meio antes da internação. A informação não havia sido comunicada pela família e dificilmente seria identificada em uma busca manual, contribuindo para uma avaliação clínica mais completa.
Daniel Fonseca, diretor técnico da Samel, destacou em nota que trata-se “de um ambiente de altíssima complexidade, onde decisões precisam ser tomadas em minutos. A inteligência artificial organiza essa complexidade, cruza dados e sinaliza riscos. Com isso, reduzimos drasticamente o tempo com burocracia e ampliamos o tempo de análise qualificada e presença junto ao paciente”.
De acordo com o executivo, a IA atua como ferramenta de apoio e não substitui a atuação médica. A proposta é ampliar a capacidade de análise dos profissionais, aumentando a segurança das decisões e a qualidade do atendimento. Com a consolidação das informações clínicas em tempo real, a instituição também relata redução do risco de omissões, respostas mais rápidas em situações críticas e maior aderência aos protocolos assistenciais baseados em diretrizes internacionais.






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