Foto: Ready made/pexels

A Vivo ampliou sua estratégia de economia circular e passou a compensar integralmente as embalagens colocadas no mercado brasileiro. A iniciativa cobre 100% do volume comercializado pela empresa e, segundo a companhia, faz da operadora a primeira do setor de telecomunicações no país a adotar esse nível de compensação em escala nacional.

A operação é realizada com apoio da Polen, empresa homologada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. O modelo utiliza créditos de reciclagem para garantir a recuperação de uma quantidade de resíduos equivalente à massa de embalagens comercializadas pela Vivo.

1.000 toneladas de resíduos

A compensação representa cerca de 1.000 toneladas de embalagens pós-consumo por ano. O volume inclui materiais como papel, papelão e plástico usados em produtos e itens distribuídos pela companhia, entre eles modems, decodificadores, chips, cartões de recarga, produtos da marca Ovvi e sacolas das lojas.

A estimativa da empresa é que a recuperação desse material evite a emissão de 555 toneladas de CO2 equivalente. O programa também alcança todos os estados brasileiros, inclusive regiões sem regulamentações estaduais específicas sobre logística reversa.

A iniciativa vai além das metas mínimas previstas para determinados sistemas de logística reversa no país. Em vez de limitar a compensação a um percentual das embalagens, a Vivo adotou como referência todo o volume colocado no mercado.

Joanes Ribas, diretora da Sustentabilidade da Vivo, explicou em nota que “mais do que atender à legislação, buscamos impulsionar uma transformação positiva na cadeia de resíduos, promovendo a circularidade dos materiais e fortalecendo a inclusão produtiva. Nossa estratégia considera todo o ciclo de vida dos produtos e embalagens, ampliando o impacto ambiental e social das ações”.

Reciclagem com rastreabilidade

Um dos pontos centrais do programa é o acompanhamento da cadeia de reciclagem. A plataforma da Polen permite monitorar a compensação desde a geração dos créditos até a aplicação dos recursos nas cooperativas e junto aos catadores responsáveis pela recuperação dos materiais.

O sistema reúne indicadores, documentos que podem ser auditados e informações sobre as notas fiscais utilizadas para comprovar a logística reversa. A proposta é dar visibilidade ao caminho percorrido pelos recursos e pelos materiais recuperados.

O dinheiro também financia melhorias na estrutura das cooperativas. Entre as ações estão compra e manutenção de equipamentos, adequações de infraestrutura, regularização de documentos, capacitação e iniciativas para aumentar a produtividade.

A rede apoiada pela iniciativa reúne nove cooperativas e alcança mais de 1,8 mil famílias. Entre os beneficiados estão a Cooperativa de Trabalho de Reciclagem Nova Esperança de Socorro (CORENOVA), em São Paulo; a Recicle a Vida Cooperativa de Trabalho de Catadores do DF e RIDE; e o Instituto Tecnológico Sustentável Social da Amazônia, em Manaus.

“Quando uma empresa do porte da Vivo decide compensar 100% das embalagens que coloca no mercado, ela mostra que é possível transformar uma obrigação ambiental em uma oportunidade de gerar impacto real. Para nós, é uma honra somar esforços nessa causa e oferecer a transparência necessária para que todo o processo seja acompanhado de ponta a ponta. A rastreabilidade dá segurança para a empresa e, ao mesmo tempo, evidencia os benefícios que chegam à base da cadeia, fortalecendo cooperativas, gerando renda para os catadores e ampliando a circularidade”, contou também em nota Renato Paquet, fundador e CEO da Polen.

Circularidade também nos eletrônicos

A estratégia da Vivo não se limita às embalagens. A empresa também mantém programas para recuperar e reciclar equipamentos eletrônicos descartados pelos consumidores.

O Vivo Recicle, criado antes da Política Nacional de Resíduos Sólidos, conta atualmente com pontos de coleta em mais de 1,8 mil lojas da operadora. Segundo a companhia, o programa já encaminhou mais de 5,3 milhões de itens para reciclagem, somando 232 toneladas de materiais.

Outra frente está relacionada aos equipamentos usados nos serviços de banda larga e TV. Modems e decodificadores recolhidos nas residências podem ser recondicionados e voltar à operação. Em 2025, aproximadamente 1,3 milhão de aparelhos passaram por esse processo. Os equipamentos sem condições de recuperação são encaminhados para reciclagem.

Joanes reforça que “ao combinar a gestão responsável de resíduos eletroeletrônicos com a compensação integral das embalagens, a Vivo fortalece sua estratégia de circularidade, conectando crescimento do negócio à geração de valor ambiental e social”.

Como funcionam os créditos de reciclagem

Os créditos de reciclagem são certificados digitais usados para comprovar a recuperação e a destinação correta de uma quantidade de resíduos equivalente à colocada no mercado por uma empresa.

O mecanismo permite direcionar recursos para a cadeia de reciclagem, incluindo cooperativas e operadores responsáveis pela recuperação dos materiais. Na prática, a lógica é semelhante à dos créditos de carbono, mas aplicada à recuperação de resíduos.

A iniciativa da Vivo está relacionada às regras da Política Nacional de Resíduos Sólidos, estabelecida pela Lei nº 12.305/2010, e ao Decreto nº 11.413/2023.

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