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A evolução das redes digitais caminha para um novo estágio em que conectividade, dados e inteligência artificial passam a operar de forma integrada. Essa mudança, descrita como “inteligência conectada”, tende a influenciar diretamente a capacidade de inovação, produtividade e resposta estratégica das nações na economia digital. A avaliação integra o artigo “Como a Inteligência Conectada vai Redefinir a Competitividade Digital dos Países”, publicado pelo Observatório Softex e apresentado durante o Mobile World Congress, realizado em Barcelona.

De acordo com a análise, a infraestrutura digital deixa de cumprir apenas o papel de garantir acesso à internet e passa a compor sistemas capazes de processar dados em larga escala, aprender com informações e gerar aplicações estratégicas para diferentes setores da economia. Países que estruturam essa infraestrutura como política pública de longo prazo conseguem transformar redes digitais em base para inovação, eficiência produtiva e desenvolvimento tecnológico.

Governança tecnológica e formação de talentos

O estudo também ressalta que a competitividade digital está cada vez mais associada a temas como autonomia tecnológica e segurança nacional. Questões relacionadas à dependência de fornecedores globais, às cadeias de suprimentos digitais e à gestão de dados estratégicos ampliam a relevância de políticas que fortaleçam capacidades locais. Nesse contexto, o ambiente regulatório e a atuação do Estado (como formulador de políticas, regulador e usuário de tecnologias) influenciam diretamente a velocidade de desenvolvimento do setor.

Para economias emergentes, o principal desafio não se limita à ampliação da conectividade, mas envolve a capacidade de participar das camadas de inteligência que sustentam a nova infraestrutura digital. A análise aponta que políticas coordenadas de investimento, formação de talentos, governança tecnológica e estímulo à inovação são fatores decisivos para evitar dependência estrutural de soluções externas.

Ecossistema digital integrado

Outro ponto destacado é a necessidade de articulação entre diferentes atores do ecossistema digital. Operadoras de telecomunicações, empresas de tecnologia, startups, universidades e centros de pesquisa possuem funções complementares na construção dessa nova arquitetura tecnológica. Quando alinhados a estratégias nacionais de inovação, esses agentes contribuem para acelerar o desenvolvimento de aplicações e consolidar capacidades estratégicas.

Em nota, Rayanny Nunes, coordenadora de Inteligência e Design de Soluções da Softex, afirmou que “o sucesso na superação deste desafio passa pela elaboração e implementação de uma estratégia integrada e de longo prazo que reúna e alinhe infraestrutura, regulação, ecossistemas e soberania digital”.

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