
O IDC revisou de forma expressiva suas projeções para o mercado global de dispositivos pessoais, em meio à continuidade de restrições na cadeia de suprimentos e à pressão sobre insumos críticos. O documento “Worldwide Quarterly Personal Computing Device Tracker” indica queda de 11,3% nas entregas de PCs em 2026 (bem acima da estimativa anterior de queda de 2,4%) enquanto o segmento de tablets deve recuar 7,6%. A revisão reflete um ambiente marcado por escassez de memória, aumento no custo de componentes e limitações produtivas que devem se estender, ao menos, até 2027.
A conjuntura é agravada por fatores geopolíticos, como o conflito no oriente médio, e pela instabilidade macroeconômica, que ampliam a imprevisibilidade e dificultam o planejamento de fabricantes e distribuidores. Ryan Reith, vice-presidente do grupo de Dispositivos e Consumo do IDC, explicou em comunicado que “a indústria de tecnologia como um todo, assim como muitos outros setores, continua enfrentando ventos contrários incontroláveis que, quando combinados, resultam em disrupções massivas. A lista crescente de eventos industriais e geopolíticos está tornando a tomada de decisões — e até a sobrevivência em alguns segmentos — quase impossível. O que transformou tudo isso de uma questão de milhões em uma questão de trilhões é a completa incerteza sobre quando essas pressões irão diminuir.”
Preços mais altos sustentam receita
Ainda assim, o avanço dos preços médios de venda tende a sustentar o valor do mercado: a receita de PCs deve crescer 1,6%, alcançando US$ 274 bilhões, enquanto tablets podem avançar 3,9%, somando US$ 66,8 bilhões. O movimento indica uma mudança estrutural no setor, com o fim do ciclo de dispositivos de baixo custo e a consolidação de um novo patamar de preços mais elevados.
No horizonte, a expectativa é de que fabricantes priorizem estratégias para aumentar a resiliência das cadeias de suprimento, com maior diversificação de fornecedores e flexibilidade no sourcing de componentes. Também ganha força a adoção de configurações técnicas mais enxutas como forma de controlar custos e manter a competitividade. Esses ajustes tendem a influenciar diretamente o ritmo de adoção por usuários finais nos próximos anos, em um momento do mercado que combina pressão de oferta com demanda mais cautelosa.






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