Foto: Divulgação/Cetesb

A gestão dos recursos hídricos em São Paulo vem sendo sustentada por uma estrutura de monitoramento que combina tecnologia, análise laboratorial e acompanhamento contínuo em campo. Operada pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), a rede reúne cerca de 1,2 mil pontos de coleta distribuídos pelo estado e permite mapear, com granularidade, as condições de rios, reservatórios, águas costeiras e aquíferos. O sistema atende a uma demanda crítica em um território que concentra mais de 46 milhões de habitantes.

Parte dessa infraestrutura é composta por 21 estações automáticas instaladas em locais estratégicos, que operam de forma ininterrupta e registram dados a cada cinco minutos. Ao longo do ano, esses equipamentos geram mais de 10 milhões de informações, oferecendo uma base consistente para identificar variações na qualidade da água e apoiar respostas mais ágeis diante de eventos de poluição ou alterações ambientais. A digitalização do monitoramento reforça a capacidade de vigilância em tempo real, especialmente em áreas de maior risco.

Coletas em campo e análises laboratoriais

O modelo, no entanto, vai além da automação. Equipes técnicas percorrem o estado para coletar amostras em diferentes ambientes aquáticos, resultando em mais de 17 mil registros anuais. Essas coletas alimentam análises laboratoriais que detectam contaminantes, acompanham tendências e subsidiam políticas públicas voltadas à proteção ambiental e à saúde. No litoral, por exemplo, 175 praias são avaliadas regularmente ao longo de 256 quilômetros, com divulgação semanal das condições de balneabilidade para a população.

Nos sistemas fluviais e reservatórios, o acompanhamento ocorre em mais de 550 pontos, permitindo avaliar a evolução da qualidade da água nas principais bacias hidrográficas. Já no monitoramento subterrâneo, 320 poços são analisados para acompanhar a qualidade dos aquíferos utilizados no abastecimento urbano e em atividades produtivas.

Maria Helena Martins, diretora de Qualidade Ambiental da Cetesb, explicou em comunicado a importância do acompanhamento: “São Paulo possui uma das mais amplas redes de monitoramento da qualidade da água do país. Esse sistema nos permite acompanhar a qualidade das praias, rios, reservatórios e aquíferos ao longo do tempo e identificar situações que possam representar riscos para a população ou para o meio ambiente”.

Monitoramento reforçado no Tietê

O Rio Tietê, um dos principais eixos hídricos paulistas, recebe atenção específica dentro dessa estratégia. Ao longo de seu percurso, são mantidos 27 pontos de monitoramento, complementados pela análise de 30 afluentes na região metropolitana, com foco na carga de poluição orgânica associada ao esgoto doméstico. Em pontos críticos, como a barragem de Edgar de Souza, medições detalhadas permitem quantificar o impacto acumulado após a travessia por áreas urbanizadas.

Segundo Maria Helena, a consolidação dessa base de dados é determinante para orientar decisões e melhorar a gestão dos recursos hídricos. “O nosso maior ativo hoje não é apenas a quantidade de dados produzidos, mas a capacidade de transformar estes dados em informações para a tomada de decisões com objetivo de promover a melhoria dos recursos hídricos”, finalizou.

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