
A economia circular consolida sua posição como eixo estratégico da transição produtiva global. Projeções da DataM Intelligence publicadas no relatório “Circular Economy Market” indicam que o mercado pode alcançar US$ 355 bilhões até 2032, impulsionado por inovação, regulação e maior exigência de investidores. O avanço ocorre em meio a um descompasso relevante: menos de 7% dos materiais consumidos globalmente retornam ao ciclo produtivo, segundo o “Circularity Gap Report 2025”.
O tema ganhou destaque após a COP30, realizada em Belém, que reforçou o papel da circularidade na descarbonização e na reorganização das cadeias industriais. O encontro ampliou a pressão por metas concretas e políticas estruturantes, especialmente em economias emergentes.
Baixa reciclagem expõe desafios de escala e integração
No Brasil, o Plano Nacional de Economia Circular (2025–2034) busca integrar agendas industrial, ambiental e social. A proposta prevê estímulos ao redesenho produtivo, expansão da reciclagem e incentivo a modelos de negócio baseados em reaproveitamento e regeneração de recursos. A iniciativa se alinha a tendências globais, mas ainda depende de execução coordenada e escala.
Os desafios são relevantes. A taxa de reciclagem brasileira gira em torno de 4%, segundo a Abrelpe, distante de mercados mais maduros. Ao mesmo tempo, cerca de 60% das indústrias já adotam práticas circulares, ainda que de forma inicial, conforme a CNI. O dado indica avanço, mas também evidencia fragmentação e baixa integração entre iniciativas.
Dinheiro reaproveitado
No campo prático, projetos e iniciativas empresariais mostram caminhos. Materiais descartados por processos industriais, como papéis com falhas de impressão da Casa da Moeda, vêm sendo reaproveitados em novos produtos, como mobiliário, itens decorativos e obras artísticas. A lógica amplia o ciclo de vida dos insumos e reduz desperdícios.
Patrício Malvezzi, CEO e fundador do Instituto Tran$forma, iniciativa de reciclagem de dinheiro, comentou em nota que “o Brasil certamente pode transformar a economia circular em vantagem competitiva, sobretudo pela abundância de recursos naturais, capacidade industrial e potencial de inovação. O debate precisa avançar para além da esfera ambiental e incorporar dimensões econômicas e sociais. Reduzir desperdícios, reaproveitar materiais e estruturar a logística reversa não são apenas ações sustentáveis, são decisões estratégicas. O crescimento desse mercado até 2032 mostra que essa não é uma tendência passageira, mas uma mudança definitiva no modelo econômico”
Impacto social da economia circular
Outro exemplo é o projeto Recicla Junto, criado em 2019, que atua na gestão de resíduos em eventos e estádios. A iniciativa já reciclou mais de 486 mil toneladas de materiais, promovendo a transformação em novos produtos e geração de renda para catadores. Casos como esse reforçam que a economia circular avança no país, mas ainda exige escala, investimento e coordenação para se consolidar como vetor econômico relevante.
“Quando olhamos para o cenário global e para eventos como a COP30, fica claro que o Brasil tem uma oportunidade única de liderar esse movimento. Hoje, eu vejo na prática como a circularidade pode gerar renda, reduzir desperdícios e transformar realidades locais. Mas isso exige escala e políticas consistentes”, destacou também em nota Augusto Freitas, presidente-executivo da Cristalcopo e fundador do projeto Recicla Junto.






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