
A combinação entre inteligência artificial, eletrificação e conectividade vem acelerando uma mudança estrutural na indústria automotiva brasileira. O avanço de veículos cada vez mais digitais amplia a integração entre software, eletrônica e engenharia mecânica, alterando processos de desenvolvimento, produção e gestão da qualidade em toda a cadeia do setor.
Levantamento do IQA (Instituto da Qualidade Automotiva) mostra que inteligência artificial e eletrificação veicular já respondem por 48% das principais transformações em curso na indústria automotiva até 2028. Os dados fazem parte do “Estudo IQA: Cenário da Qualidade Automotiva no Brasil 2026-2028”, elaborado com a participação de 36 entidades e 60 lideranças do setor.
A pesquisa identifica uma mudança no modelo industrial automotivo, impulsionada pela convergência entre sistemas digitais, conectividade e plataformas orientadas por dados. A digitalização aparece logo em seguida entre os fatores mais relevantes do setor, concentrando 25% das tendências analisadas pelo estudo.
Dados redefinem os padrões de qualidade automotiva
Cláudio Moysés, presidente do IQA, afirmou em nota que “a transformação tecnológica no setor automotivo não é apenas uma mudança de produto, mas de lógica industrial. Estamos saindo de uma engenharia predominantemente mecânica para um ambiente orientado por software, dados e sistemas integrados. O grande desafio do Brasil será transformar essa evolução tecnológica em capacidade industrial e competência técnica distribuída pela cadeia, garantindo competitividade em um ambiente global cada vez mais exigente”.
Essa transformação também amplia as exigências sobre engenharia e qualidade industrial. A validação de sistemas passa a depender de análise contínua de dados, testes integrados e monitoramento durante todo o ciclo de vida dos veículos. Questões ligadas à segurança funcional, cibersegurança e confiabilidade de software ganham peso crescente nas operações automotivas.
Pressão competitiva acelera modernização da cadeia
O estudo também aponta aumento da pressão competitiva sobre a indústria nacional, com a expansão de marcas estrangeiras, principalmente fabricantes chinesas. A chegada de novos modelos eletrificados e conectados pressiona montadoras, sistemistas e fornecedores a acelerar investimentos em inovação, padronização técnica e qualificação profissional. O avanço da competição global também exige maior agilidade industrial e atualização constante de processos produtivos.
“A incorporação de novas tecnologias amplia o papel da qualidade na indústria automotiva, exigindo uma abordagem cada vez mais integrada, alinhada à complexidade dos sistemas e à evolução contínua dos produtos”, contou também em nota o diretor superintendente do IQA, Alexandre Xavier.
Qualidade industrial e inovação
Para o IQA, a evolução da qualidade automotiva passa a envolver não apenas o produto final, mas todas as etapas de desenvolvimento, integração e operação dos veículos. O instituto avalia que a capacidade de transformar inovação em processos industriais robustos será determinante para sustentar a competitividade do setor nos próximos anos.
A indústria automotiva segue entre os segmentos mais relevantes da economia brasileira. Segundo o levantamento, o setor reúne cerca de 1,3 milhão de empregos diretos e indiretos, movimenta aproximadamente R$ 107 bilhões anuais em impostos e atende uma frota superior a 62 milhões de veículos no país.
O “Estudo IQA: Cenário da Qualidade Automotiva no Brasil 2026-2028” reúne entrevistas, questionários e análise de dados para mapear tendências tecnológicas, desafios industriais e impactos da transformação digital na cadeia automotiva brasileira.






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