Foto: Divulgação/Green Eletron

A geração de lixo eletrônico segue avançando no Brasil e amplia a pressão sobre sistemas de reciclagem e descarte ambientalmente adequado. O crescimento do consumo de celulares, computadores, eletrodomésticos e dispositivos conectados elevou o volume de resíduos eletroeletrônicos no país, enquanto empresas e órgãos reguladores buscam ampliar a estrutura de logística reversa prevista na Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Nesse cenário, a Green Eletron alcançou em 2025 o maior volume anual de coleta desde o início de suas operações. A entidade sem fins lucrativos informou ter recolhido 12,5 mil toneladas de resíduos eletroeletrônicos, pilhas e baterias portáteis ao longo do ano. Em dez anos de atuação, o volume acumulado já supera 30 mil toneladas.

Ademir Brescansin, Gerente Executivo da Green Eletron, destacou em nota que os resultados demonstram um importante avanço, mas também evidenciam o tamanho do desafio. “Alcançar esses resultados indica o alto nível das inciativas de logística reversa no Brasil. Ao mesmo tempo, sabemos que ainda há uma quantidade significativa de eletroeletrônicos guardados nas casas ou descartados de forma incorreta”, afirmou.

Coleta de eletrônicos cresce

A maior parte desse total corresponde a equipamentos eletroeletrônicos. Mais de 29 mil toneladas recolhidas na última década são formadas por produtos como celulares, computadores, eletrodomésticos e itens de uso doméstico. Outras mil toneladas são referentes a pilhas e baterias portáteis descartadas corretamente pela população.

O avanço da coleta acompanha a expansão da infraestrutura de descarte disponível no país. Atualmente, a Green Eletron mantém mais de 2 mil Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) voltados ao recebimento de eletroeletrônicos e mais de 11 mil pontos destinados a pilhas e baterias portáteis. Os locais estão distribuídos em supermercados, farmácias, shoppings e redes varejistas.

A ampliação da logística reversa também depende de maior adesão empresarial ao sistema, segundo a entidade. Brescansin explicou que ainda existe desequilíbrio competitivo entre companhias que cumprem as exigências legais e empresas que permanecem fora dos programas de logística reversa.

Falta de informação ainda compromete descarte correto

A pesquisa “Resíduos Eletrônicos no Brasil 2025”, realizada pela Green Eletron em parceria com a Radar Pesquisas, aponta que 32% da população brasileira guarda em casa algum aparelho sem uso, principalmente celulares antigos, e 43% admite não saber como descartá-los corretamente.

“É fundamental que o consumidor compreenda seu papel e leve os equipamentos fora de uso, pilhas e baterias aos pontos de entrega. O descarte correto evita impactos ambientais e contribui para o uso mais eficiente de recursos. Nesse sentido, a participação do comércio é essencial, para que o consumidor identifique que aquele estabelecimento recebe produtos destinados à reciclagem”, reforçou Brescansin.

Para a entidade, o fortalecimento da fiscalização e a aplicação de penalidades previstas na legislação podem ampliar a participação do setor produtivo e acelerar a expansão da reciclagem de resíduos eletrônicos no país.

Os consumidores podem localizar o ponto de descarte mais próximo por meio deste link.

Sem comentários registrados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *