Foto: Walter Folador/Divulgação

O Governo de Goiás lançou o Distrito de Inovação e Inteligência Artificial, projeto que reúne investimentos superiores a R$ 300 milhões para criar um ecossistema voltado à pesquisa, desenvolvimento tecnológico, formação profissional e atração de empresas de base tecnológica. A iniciativa será implantada em uma área de 91 hectares no Setor Leste Universitário, em Goiânia, com a proposta de consolidar o estado como um dos principais polos brasileiros de inteligência artificial e ampliar sua inserção no cenário internacional de inovação.

A criação de distritos de inovação tem sido adotada em diferentes países como estratégia para aproximar universidades, empresas, centros de pesquisa e governos. No Brasil, estados e municípios têm ampliado iniciativas desse modelo para fortalecer ecossistemas regionais de inovação e ampliar sua competitividade.

Os recursos previstos contemplam a modernização da infraestrutura pública e o fortalecimento da pesquisa aplicada. Cerca de R$ 200 milhões serão destinados à reforma de quatro edifícios estaduais e à construção de novas estruturas. Outros R$ 30 milhões financiarão projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), enquanto parte dos R$ 78 milhões do novo convênio firmado com o Centro de Excelência em Inteligência Artificial (Ceia-UFG) também será direcionada às atividades do distrito.

O objetivo é transformar o ambiente em um espaço permanente para desenvolvimento tecnológico e geração de oportunidades. O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação de Goiás, José Frederico, destacou que o projeto foi estruturado para reunir empresas, centros de pesquisa e instituições de ensino em um único ambiente. Em nota o secretário comentou que o “distrito que vai aglomerar empresas de tecnologia e centros de pesquisa. Será um marco para a cidade, não só de empresas, mas também da parte urbanística. A ideia é que, nesse distrito, a gente possa atrair capital humano e talentos do Brasil inteiro, para experimentar um pouco mais de tecnologia e preparar a sociedade para ter trabalhadores que consigam usar a IA”.

Formação de talentos em ambiente colaborativo

A qualificação de profissionais figura entre os principais pilares do empreendimento. A proposta prevê ampliar a oferta de cursos técnicos, programas de residência tecnológica, aceleração de startups e bolsas de capacitação para atender à crescente demanda por especialistas em inteligência artificial e transformação digital.

A estrutura do distrito incluirá uma nova sede para o Ceia e também receberá empresas especializadas em inteligência artificial. Além disso, imóveis públicos atualmente utilizados por órgãos estaduais passarão por reformas para abrigar empresas, programas de residência em IA e a futura sede da Goiás Tecnologia.

A expectativa é que mais de 3,2 mil pessoas circulem diariamente pelos espaços compartilhados do complexo, que contará com auditórios, áreas de convivência, cafés e ambientes destinados à colaboração entre empresas, pesquisadores e empreendedores. A primeira empresa confirmada no Distrito de Inovação será a Semantix, multinacional brasileira especializada em dados, analytics e inteligência artificial. A companhia assinou memorando de entendimento com o Governo de Goiás para iniciar operações no novo ecossistema e ampliar a atração de investimentos privados para o estado.

Incentivos para empresas e universidades

O distrito nasce integrado às principais instituições de ensino superior localizadas na região, entre elas a Universidade Federal de Goiás (UFG) e a Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás). A proposta inclui programas conjuntos de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e formação profissional, fortalecendo a conexão entre produção científica e mercado.

Sserão disponibilizadas 1.500 bolsas de qualificação profissional vinculadas ao distrito e estão previstas parcerias com o Sistema S para oferta de descontos em cursos tecnológicos e abertura de turmas gratuitas de formação técnica por meio do Senac.

A reitora da PUC Goiás, Olga Ronchi, destacou também em nota o potencial social da iniciativa: “esse distrito coloca Goiânia no cenário internacional. É a inovação, ciência e tecnologia a serviço da vida e da humanidade. Que esse distrito venha com esse desejo de inclusão, de diminuir desigualdades sociais e desenvolver a tecnologia e a área social em nosso Estado”.

Outro diferencial será a implantação de um ambiente regulatório experimental, conhecido como sandbox regulatório. O modelo permitirá testar soluções tecnológicas voltadas aos serviços públicos em escala controlada antes de sua expansão para outras áreas da cidade.

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