
A São Martinho anunciou o projeto Rota Verde, desenvolvido em parceria com Rumo, Necta e Transvale, na busca por uma operação de menor impacto ambiental. A iniciativa combina transporte rodoviário abastecido com gás natural e, futuramente, biometano, com a malha ferroviária para o escoamento de açúcar produzido na Unidade Santa Cruz, em Américo Brasiliense (SP), até o Porto de Santos.
A operação utilizará inicialmente caminhões movidos a gás natural equipados com tecnologia Scania G460 Gás. A proposta prevê uma migração gradual para o abastecimento integral com biometano, combustível renovável produzido a partir de resíduos da atividade sucroenergética. O transporte rodoviário será conectado ao terminal ferroviário da Rumo em Itirapina (SP), criando uma operação integrada entre os dois modais.
Modelo logístico de baixo carbono
Um dos principais diferenciais do projeto está na utilização do excedente gerado pela planta de biometano da própria São Martinho, localizada em Américo Brasiliense. A unidade entrou em operação em agosto de 2025 após receber investimentos de R$ 250 milhões, fortalecendo uma estratégia baseada em economia circular e aproveitamento energético de resíduos industriais.
Helder Gosling, Diretor Comercial e de Logística da São Martinho, destacou em nota que “a Rota Verde marca um avanço significativo na integração entre eficiência logística e responsabilidade ambiental. Com essa iniciativa, conectamos inovação e sustentabilidade, reduzindo emissões e aproveitando recursos renováveis como o biometano”.
Para as empresas envolvidas, a iniciativa poderá elevar em até 20% os indicadores de eficiência do transporte da companhia. Os benefícios ambientais também aparecem entre os principais resultados esperados. Com base em estudo de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) realizado pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), a operação poderá reduzir em até 87% as emissões de gases de efeito estufa em comparação com caminhões movidos a diesel.
Integração entre modais amplia eficiência
A execução da operação ficará sob responsabilidade da Transvale. “O investimento inicial da transportadora é estimado em R$ 15 milhões, com 10 conjuntos rodotrem caçamba de 47 toneladas”, contou também em nota Ivo Ilário Riedi Filho, CEO da Transvale.
O projeto representa um modelo de integração entre diferentes agentes da cadeia logística e energética. A iniciativa combina a menor intensidade de carbono do transporte ferroviário com combustíveis renováveis aplicados ao transporte rodoviário, ampliando o potencial de descarbonização do escoamento de commodities agrícolas.
Segundo nota de Altamir Perottoni Junior, Vice-Presidente Comercial da Rumo, iniciativa é fundamental por unir diferentes elos da cadeia em um projeto que contribui para a descarbonização, reforçando a importância da complementariedade entre o modal ferroviário, que por essência já tem menor pegada de carbono, e o modal rodoviário sustentável, que promove a substituição do diesel pelo biometano.






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