Foto: Thiago Japyassu/Pexels

A busca por descarbonização vem ganhando atenção nas estratégias das grandes indústrias, seja por exigências regulatórias, metas climáticas corporativas ou pela crescente demanda por produtos com menor impacto ambiental. Em setores ligados ao uso intensivo de recursos naturais, a combinação entre inovação tecnológica, conservação ambiental e energia renovável passou a ser um ponto a mais na competitividade.

Nesse cenário, a Bracell anunciou que reduziu em 47% suas emissões de carbono por tonelada produzida entre 2020 e 2025. O indicador passou de 0,482 tCO₂e para 0,255 tCO₂e por tonelada de celulose produzida no período. O resultado integra as metas do plano de sustentabilidade da companhia, que prevê uma redução de 75% das emissões até o final da década.

Monitoramento com dados em tempo real

Além da redução das emissões operacionais, a empresa ampliou o uso de tecnologias voltadas ao monitoramento climático e à mensuração de remoções de carbono em áreas de florestas plantadas e vegetação nativa sob sua gestão. Entre as ferramentas adotadas estão sistemas de inteligência artificial e drones equipados com sensores LiDAR (Light Detection and Ranging), capazes de gerar modelos tridimensionais da vegetação para estimar biomassa e estoque de carbono.

Segundo a companhia, a tecnologia alcança níveis elevados de precisão na classificação dos estágios de regeneração da vegetação, atingindo 91% na Mata Atlântica e 82% no Cerrado. As informações geradas auxiliam na definição de prioridades para ações de conservação e restauração ambiental.

A estrutura de monitoramento inclui ainda torres de fluxo instaladas em áreas florestais. Equipadas com sensores especializados, elas realizam medições contínuas das trocas de carbono, água e energia entre a vegetação e a atmosfera, fornecendo dados para acompanhamento dos processos ecológicos e climáticos.

Conservação ambiental e biodiversidade

Na frente de conservação, a Bracell informou que sua iniciativa voluntária denominada “Compromisso Um-Para-Um” ultrapassou antecipadamente a meta estabelecida, alcançando 301 mil hectares conservados em áreas públicas protegidas. Entre as ações executadas estão a manutenção de aceiros, doação de equipamentos, capacitação de equipes e utilização de sistemas baseados em inteligência artificial para identificar focos de incêndio em tempo real. A adoção dessas tecnologias busca acelerar a resposta operacional e reduzir impactos sobre a biodiversidade e os estoques de carbono.

O modelo florestal da companhia é baseado em plantações certificadas de eucalipto distribuídas em mosaicos que alternam áreas produtivas e remanescentes de vegetação nativa. A estratégia é aplicada em regiões dos biomas Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga, com foco na conservação da biodiversidade e na manutenção dos serviços ecossistêmicos.

A empresa também mantém programas permanentes de monitoramento de fauna e flora. Em 2025, passou a incorporar ferramentas de bioacústica associadas à inteligência artificial, utilizando sensores sonoros para identificação automática de espécies e acompanhamento da dinâmica dos ecossistemas.

Natureza, inovação e descarbonização

Outra iniciativa destacada foi a participação da Bracell em um projeto-piloto internacional da Nature Positive Initiative, organização que reúne empresas, pesquisadores e especialistas para desenvolver métricas corporativas relacionadas à biodiversidade e à conservação da natureza. “A nossa participação reforça o papel do setor florestal na liderança de agendas relacionadas à natureza, ao integrar tecnologia e uso sustentável da terra. Por meio da aplicação de métricas de natureza, a Bracell fortalece sua capacidade de gerar impactos positivos para biodiversidade, sociedade e negócio”, contou em nota Márcio Nappo, vice-presidente de Sustentabilidade da Bracell.

Na área energética, a companhia informou que 90% da energia consumida em suas operações tem origem renovável. Apenas em 2025, foram gerados 57 milhões de gigajoules de energia a partir de biomassa, licor negro e sistemas solares.

A empresa também iniciou testes com caminhões elétricos abastecidos por energia renovável produzida em sua unidade industrial de Lençóis Paulista, no interior de São Paulo. Paralelamente, desenvolve pesquisas relacionadas à produção de metanol verde, combustível considerado estratégico para a transição energética e para a redução das emissões em setores de difícil eletrificação.

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