Foto: Kampus Production/Pexels

A sofisticação crescente dos golpes digitais está elevando o impacto financeiro das fraudes sobre os consumidores brasileiros. Com o avanço de técnicas de engenharia social, inteligência artificial e falsificação de identidade, criminosos têm conseguido ampliar o alcance de ataques e aumentar o valor das perdas. Soma-se a isso uma tendência global de profissionalização do cibercrime.

Dados da atualização do “Relatório de Principais Tendências de Fraude”, da TransUnion, mostram que o prejuízo médio entre consumidores brasileiros que perderam dinheiro em fraudes digitais chegou a R$ 10.699,00. O valor representa um crescimento de 60% em comparação ao levantamento anterior, quando a média era de R$ 6.311,00. O resultado brasileiro também supera a média global registrada pela companhia, equivalente a cerca de R$ 9.307,00.

Segundo o levantamento, 41% dos entrevistados afirmaram ter sido alvo de tentativas de fraude digital nos últimos meses. A empresa destaca que o percentual pode ser ainda maior, já que muitos consumidores não identificam abordagens fraudulentas mais sofisticadas, especialmente aquelas baseadas em manipulação psicológica.

Vishing lidera perdas financeiras

Entre os diferentes tipos de fraude, o vishing (golpe realizado por meio de ligações telefônicas) apareceu como a principal causa de perdas financeiras relatada pelos brasileiros. O método foi apontado por 32% das vítimas que sofreram prejuízos financeiros.

Nesse tipo de ataque, criminosos se passam por representantes de bancos, empresas ou instituições conhecidas para convencer as vítimas a fornecer dados confidenciais ou realizar transferências. A participação do vishing no Brasil ficou acima da média global, de 23%, indicando uma incidência mais elevada desse golpe no país.

Na sequência aparecem os esquemas envolvendo movimentação de recursos por meio de “laranjas”, citados por 19%; casos de invasão de contas digitais (Account Takeover – ATO), mencionados por 18%; e uso indevido de dados pessoais (roubo de identidade) e golpes via SMS, ambos relatados por 17%.

Para especialistas em segurança digital, a predominância dessas modalidades demonstra que os criminosos estão concentrando esforços na exploração do comportamento humano, utilizando senso de urgência, confiança e persuasão para contornar barreiras tecnológicas.

“Hoje, a fraude se disfarça de contato legítimo e fala com a vítima como se fosse uma empresa confiável. A fraude digital ficou mais profissionalizada: hoje o criminoso soa legítimo, conquista a confiança da vítima e ataca onde a perda é maior. Com engenharia social e inteligência artificial, os fraudadores conseguem escalar abordagens, adaptar o discurso e parecer legítimos com muito mais rapidez – e isso ajuda a explicar porque o prejuízo por vítima está mais alto”, explicou em nota Wallace Massola, head de Soluções de Prevenção a Fraudes da TransUnion Brasil.

Brasil segue acima da média latino-americana

Além da percepção dos consumidores, a análise também utilizou dados da rede global de inteligência da TransUnion para medir suspeitas de tentativas de fraude digital em transações realizadas na América Latina.

Os dados apontam que a média regional foi de 2,7% em 2025. No Brasil, porém, a taxa alcançou 3,8%, mantendo o país acima do índice observado nos demais mercados analisados. O resultado coloca o Brasil entre os países com maior incidência de suspeitas de fraude digital na amostra, atrás apenas de Nicarágua e República Dominicana.

A diferença mostra que, apesar dos avanços em tecnologias de monitoramento e prevenção, o ambiente digital brasileiro continua sendo um dos mais visados por criminosos. O crescimento das transações online, da digitalização dos serviços financeiros e do uso massivo de aplicativos de pagamento amplia a superfície de ataque explorada por fraudadores.

Massola ainda destacou que “a prevenção de fraudes avançou, mas o Brasil ainda está longe de ser um cenário confortável. Embora os investimentos estejam contribuindo para uma leve redução nas suspeitas de transações fraudulentas em toda a região, o país ainda opera acima da média, reforçando que o desafio continua relevante e exige atenção constante”.

O estudo foi realizado com 12.730 consumidores em 18 países. No Brasil, mil pessoas participaram da pesquisa entre novembro e dezembro de 2025.

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