Carlos Pedrotti, presidente da SDB e Gerente Médico do Centro de Telemedicina do Hospital Albert Einstein. Foto: Divulgação

A Saúde Digital Brasil (SDB), entidade que representa o setor empresarial de saúde digital, atualizou o Painel de Indicadores de telessaúde, consolidando o que já é o principal retrato da saúde digital no país. A iniciativa, desenvolvida em parceria com o Datalab da Serasa Experian, reúne dados anonimizados de provedores privados de saúde digital entre 2020 e 2025. O levantamento indica que o setor já ultrapassa 7,98 milhões de atendimentos no Brasil.

O estudo mostra um desempenho relevante na efetividade do atendimento remoto. A taxa de resolutividade chega a 72,96%, indicando que a maior parte dos casos foi solucionada integralmente no ambiente digital, sem necessidade de encaminhamento presencial. O resultado reforça a capacidade da telessaúde de reorganizar fluxos assistenciais e ampliar o acesso à atenção básica e especializada.

Na prática, os dados apontam ganhos operacionais para o sistema de saúde. A ampliação do atendimento remoto contribui para reduzir deslocamentos, otimizar recursos e aliviar a pressão sobre estruturas físicas, sobretudo em regiões com menor disponibilidade de profissionais e serviços especializados.

Teleconsulta lidera atendimentos

O painel também detalha a consolidação do modelo assistencial no período pós-pandemia. A teleconsulta representa 97% dos atendimentos monitorados, enquanto o telemonitoramento corresponde a 3%. Os serviços são realizados por diferentes canais digitais, como vídeo, áudio e chat, indicando a consolidação de um modelo híbrido de cuidado já incorporado à rotina assistencial.

Em termos de financiamento, os planos de saúde concentram 42% dos atendimentos, seguidos por benefícios corporativos, com 31%. Atendimentos via recursos públicos representam 8%, enquanto o atendimento particular soma 1%.

Métricas por habitante reforçam expansão

Além do volume absoluto, o painel passa a oferecer métricas por 100 mil habitantes, o que permite avaliar a penetração da telessaúde em diferentes regiões e perfis populacionais. O avanço dos indicadores ao longo dos anos mostra a tendência de crescimento contínuo do setor no país. Para a entidade, a evolução da saúde digital depende de integração de sistemas e maior interoperabilidade de dados. O uso de indicadores consolidados é apontado como elemento central para decisões clínicas, regulatórias e estratégicas.

“O Painel fornece evidências fundamentais para orientar políticas públicas, embasar decisões de investimento e ampliar a compreensão do impacto real da telessaúde na democratização do acesso à saúde no Brasil“, destacou em nota Carlos Pedrotti, presidente da Saúde Digital Brasil e Gerente Médico do Centro de Telemedicina do Hospital Albert Einstein.

A próxima atualização do painel já está em desenvolvimento e deve incorporar dados de 2026, com publicação prevista para o fim do ano, ampliando a leitura longitudinal da evolução da telessaúde no país.

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