
A inteligência artificial se tornou o principal foco de investimentos em tecnologia no Brasil. É o que mostra a segunda etapa do estudo “Mercado Brasileiro de Software – Panorama e Tendências 2026”, divulgado pela Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) com base em dados da International Data Corporation (IDC). O levantamento aponta que o país encerrou 2025 com 41.613 empresas atuando nos segmentos de software e serviços e um mercado avaliado em US$ 35,4 bilhões, reforçando sua liderança na América Latina.
Após anos de investimentos em computação em nuvem, análise de dados e automação, as empresas passaram a direcionar recursos para aplicações práticas de IA capazes de gerar ganhos de produtividade, reduzir custos operacionais e acelerar a inovação. No Brasil, essa tendência vem sendo acompanhada pela modernização da infraestrutura tecnológica e pelo amadurecimento do ecossistema de software.
Segundo o estudo, inteligência artificial generativa e agentes de IA ocupam o topo das prioridades tecnológicas para 2026. O tema foi apontado por 53% dos executivos entrevistados como principal foco de investimento. Na sequência aparecem segurança da informação e segurança em nuvem, com 41%, além de inteligência artificial e Machine Learning (35%), infraestrutura de nuvem (24%) e Big Data e Analytics (24%).
Para Jorge Sukarie Neto, conselheiro da ABES e responsável pelo levantamento, a adoção da tecnologia já ultrapassou a fase inicial de testes. Em nota o conselheiro destacou que “os dados mostram que as empresas brasileiras avançaram da fase de experimentação para a implementação prática da Inteligência Artificial. Os agentes de IA passam a ocupar um papel cada vez mais relevante na automação de processos, na produtividade e na geração de novos modelos de negócio. Ao mesmo tempo, observamos um mercado de tecnologia cada vez mais distribuído regionalmente e sustentado por um ecossistema robusto de empresas inovadoras”.
Atualmente, 40% das empresas já investem em agentes de IA, enquanto outras 33% planejam iniciar projetos nos próximos 12 meses. Apesar da expansão, desafios como qualidade de dados, atualização de sistemas legados, governança, escalabilidade e escassez de profissionais especializados continuam limitando uma adoção mais ampla da tecnologia em ambientes corporativos.
Pequenas empresas sustentam a base do setor
O estudo aponta que a estrutura do mercado brasileiro permanece fortemente apoiada em negócios de menor porte. As microempresas representam 62,5% das organizações identificadas, enquanto as pequenas empresas respondem por 31,8%. Juntas, elas concentram 94,3% de todas as empresas do segmento de software e serviços.
As médias empresas correspondem a 3,4% do mercado e as grandes companhias somam 2,3%. Entre os diferentes perfis de atuação, as empresas de serviços lideram a participação, seguidas pelas distribuidoras de tecnologia e pelas desenvolvedoras de software.
Setor financeiro concentra maior demanda por tecnologia
Pelo lado do consumo, o setor financeiro manteve a liderança nos investimentos em software e serviços, respondendo por 25,4% do mercado nacional. O segmento movimentou US$ 8,99 bilhões em 2025.
Serviços e Telecomunicações aparecem na sequência, com US$ 8,61 bilhões, enquanto a indústria respondeu por US$ 6,92 bilhões. Juntos, os três segmentos concentram aproximadamente 70% dos investimentos brasileiros em software e serviços. Também aparecem entre os principais compradores os setores de varejo, administração pública, óleo e gás e agronegócio.
Investimentos em TI avançam além dos grandes centros
Outro destaque do levantamento é a gradual descentralização dos investimentos em tecnologia. Embora o Sudeste continue concentrando a maior parcela dos aportes em TI, sua participação caiu ao longo da última década, passando de 65% em 2012 para 62,37% em 2025. A participação do Sul cresceu de 12% para 15,86% no mesmo período, enquanto o Norte ampliou sua fatia de 2% para 3,12%. O Nordeste manteve participação próxima de 8%.
As projeções da IDC indicam continuidade da expansão do setor em 2026, ainda que com maior foco em eficiência operacional e retorno sobre investimento. A expectativa é de crescimento de 5,3% para o mercado de TI, 3,9% para Telecom e 4,6% para Business IT, segmento que engloba serviços, outsourcing, computação em nuvem e soluções corporativas.






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