Leonardo Aredias, diretor sênior de vendas e pós-vendas da Omoda-Jaecoo Brasil durante a Eletrolar Show 2026.

A combinação entre inteligência artificial, veículos autônomos e conectividade avançada deve provocar uma das maiores transformações da história da mobilidade. A avaliação foi apresentada por Leonardo Aredias, diretor sênior de vendas e pós-vendas da Omoda-Jaecoo Brasil, durante painel sobre veículos autônomos e IA realizado na Future Mobility da Eletrolar Show 2026.

Ao abordar a evolução da indústria automotiva, Aredias destacou que o debate sobre carros autônomos vai muito além da tecnologia embarcada. Segundo ele, a mudança deverá impactar diretamente a forma como as pessoas se relacionam com os veículos, alterando hábitos, modelos de negócio e até conceitos tradicionais como a necessidade da carteira de habilitação. “O avião entrou no automático há muito tempo. Então a gente está caminhando naturalmente para uma evolução tecnológica, que nos leve ao momento que o motorista seja opcional”.

Aredias lembrou que diversos sistemas antes dependentes de operadores humanos passaram por processos de automação ao longo das últimas décadas. Na visão dele, o transporte individual segue uma trajetória semelhante, impulsionada pelo avanço acelerado da inteligência artificial.

Da assistência à autonomia total

O executivo chamou a atenção para a velocidade de adoção das novas tecnologias. Enquanto o telefone levou décadas para alcançar ampla disseminação, ferramentas de IA generativa atingiram centenas de milhões de usuários em poucos meses. Essa aceleração reduz drasticamente o tempo necessário para o desenvolvimento de novas capacidades nos veículos.

Hoje, os sistemas de assistência à condução já permitem que automóveis realizem tarefas como manutenção de faixa, controle adaptativo de velocidade, aceleração e frenagem automáticas em determinados cenários. O próximo estágio será a expansão dos veículos com autonomia avançada, capazes de operar em ambientes urbanos com mínima ou nenhuma intervenção humana. “É o carro produzido sem volante, sem pedal, sem operador, porque ele vai te levar do ponto A ao ponto B com a maior segurança possível. E quando a gente pensa nisso, nessa curva da aceleração, nós já temos protótipos andando em cidades e indústrias”.

Os protótipos e operações experimentais já estão em funcionamento em diferentes regiões do mundo. Aredias destacou especialmente os avanços observados na China, país que concentra investimentos em baterias, software automotivo, conectividade e inteligência artificial aplicada à mobilidade.

A era dos carros que entendem contexto

Segundo Aredias, a transformação em curso não está relacionada apenas à capacidade do carro dirigir sozinho. O principal diferencial será a incorporação de sistemas de IA capazes de interpretar contexto, compreender comandos complexos e tomar decisões com base em grandes volumes de dados.

Na prática, os veículos passariam a atuar como plataformas inteligentes conectadas a serviços digitais, infraestrutura urbana, sistemas de transporte e redes de informação. O automóvel deixaria de ser apenas um meio de deslocamento para se tornar um assistente digital integrado à rotina dos usuários.

Um cenário de exemplo é o veículo reconhecer preferências individuais, ajustar automaticamente configurações de conforto, sugerir rotas, acompanhar compromissos da agenda e oferecer suporte contextual durante os deslocamentos. A proposta se aproxima do conceito de agente de IA.

O aprendizado compartilhado da mobilidade

Outro ponto destacado foi o potencial de aprendizado coletivo desses sistemas. À medida que milhões de veículos conectados compartilham informações, a inteligência embarcada poderia acumular experiências de condução em larga escala, ampliando sua capacidade de tomada de decisão e segurança operacional.

Para Aredias, essa evolução tende a elevar significativamente os níveis de segurança no trânsito. A perspectiva apresentada é que sistemas autônomos alimentados por IA possam superar o desempenho humano em diversas situações de direção, reduzindo acidentes e aumentando a eficiência dos deslocamentos. “O carro aprende a dirigir com a experiência de todos nós. E chegaremos no momento em que o veículo passa a ser 10 vezes mais seguro dirigindo sozinho do volante”.

O executivo afirmou que a inteligência artificial representa uma mudança estrutural para a indústria automotiva. Mais do que uma ferramenta tecnológica, ela deverá redefinir o papel do automóvel na sociedade, aproximando veículos, usuários e serviços digitais em uma única plataforma inteligente de mobilidade.

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