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A discussão entre líderes empresariais já não está concentrada na viabilidade da inteligência artificial, mas na velocidade e na intensidade dos investimentos necessários para manter a competitividade. É o que mostra um novo estudo da Cisco, que identificou um avanço significativo no otimismo dos CEOs em relação à IA, acompanhado por uma crescente preocupação com o risco de investir menos do que o mercado exige.

Segundo a pesquisa “Como os CEO’s veem a IA em 2026”, 65% dos CEOs globalmente e 63% na América do Sul afirmam recear que suas organizações estejam destinando recursos insuficientes à inteligência artificial. O resultado representa um crescimento expressivo em relação ao levantamento anterior. Além disso, 69% dos executivos no mundo consideram que a adoção da IA se tornou indispensável para os negócios modernos. Entre os líderes sul-americanos, o percentual sobe para 73%.

A avaliação predominante entre os executivos é que a inteligência artificial deve ser encarada como uma infraestrutura essencial para os negócios. A percepção é de que empresas capazes de acelerar a integração da tecnologia em suas operações terão melhores condições de ampliar produtividade, eficiência e diferenciação competitiva nos próximos anos.

IA e humanos devem atuar em conjunto

Embora a adoção da inteligência artificial avance rapidamente, os CEOs não enxergam um cenário de substituição ampla da força de trabalho humana. A implantação de agentes de IA figura entre as principais prioridades corporativas para 2026, mas a expectativa é que essas ferramentas operem sob supervisão humana.

De acordo com a pesquisa, 72% dos CEOs no mundo e 71% na América do Sul acreditam que, até 2030, a IA será utilizada principalmente para apoiar atividades e executar tarefas sob orientação, governança ou validação humana. A visão predominante é de colaboração entre pessoas e sistemas inteligentes.

Os executivos apontam três fatores centrais para essa abordagem: garantir a segurança dos sistemas de IA, preservar a produtividade em equipes híbridas compostas por humanos e agentes digitais e assegurar critérios éticos nos processos de tomada de decisão.

Conhecimento sobre IA avança entre líderes empresariais

O levantamento também indica uma redução significativa da insegurança dos CEOs em relação ao entendimento da tecnologia. Globalmente, a parcela de líderes que considerava sua falta de conhecimento sobre IA um obstáculo nas discussões estratégicas caiu de 74% para 53% em um ano. Na América do Sul, o indicador recuou de 78% para 56%.

A mesma tendência aparece na tomada de decisões. O percentual de CEOs que afirmavam ter dificuldades para tomar decisões informadas devido à limitação de conhecimento sobre IA caiu de 74% para 49% no cenário global. Entre os sul-americanos, a redução foi de 76% para 46%.

Os dados sugerem que a curva de aprendizado das lideranças empresariais está avançando. Ao mesmo tempo, cresce a percepção sobre os desafios técnicos e operacionais envolvidos na implementação da inteligência artificial em larga escala.

Infraestrutura, dados e segurança travam expansão

Apesar do aumento do interesse e dos investimentos, a pesquisa aponta que a execução dos projetos de IA ainda enfrenta obstáculos estruturais importantes.

A infraestrutura tecnológica aparece como a principal preocupação. Metade dos CEOs sul-americanos e 53% dos líderes globais temem que limitações na infraestrutura reduzam a capacidade de crescimento das empresas. Por isso, a modernização dos ambientes tecnológicos foi apontada como a principal prioridade para 2026, à frente de outras iniciativas corporativas.

A segurança também ganhou protagonismo. Com a expansão dos agentes de IA, cresce a preocupação dos executivos com governança, controle e proteção desses sistemas autônomos, especialmente diante de ambientes corporativos cada vez mais complexos e conectados.

Outro desafio relevante está relacionado à qualidade e à gestão dos dados. Problemas de fragmentação, acessibilidade e centralização das informações foram apontados por 34% dos CEOs como a principal barreira para a evolução da IA. Na América do Sul, 25% dos executivos destacaram esse fator como um dos maiores entraves para ampliar o uso da tecnologia.

Índice de prontidão reforça desafios

Os resultados da pesquisa com CEOs são corroborados pelo ‘Índice de Prontidão para IA 2026″ da Cisco, realizado com mais de 8 mil líderes de tecnologia ao redor do mundo. O estudo mostra que apenas 22% das organizações consideram suas redes preparadas para suportar cargas de trabalho avançadas de inteligência artificial. Além disso, somente 31% afirmam estar prontas para proteger e controlar agentes de IA de forma adequada.

A situação dos dados também permanece crítica. Apenas 19% das empresas declaram possuir informações totalmente centralizadas e acessíveis para alimentar aplicações de inteligência artificial de maneira eficiente.

O cenário indica que o avanço da IA dependerá cada vez menos do interesse das lideranças e cada vez mais da capacidade das organizações de construir uma base tecnológica sólida. Infraestrutura moderna, governança de dados e mecanismos robustos de segurança tendem a se consolidar como fatores determinantes para transformar o potencial da inteligência artificial em resultados concretos de negócio.

O estudo ouviu 2.500 CEOs em 23 países e revela uma mudança relevante na forma como a tecnologia é percebida pelas lideranças empresariais. Na América do Sul, incluindo Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e Peru, a IA passou a ser tratada como um componente estratégico das operações corporativas, influenciando processos, decisões e modelos de crescimento.

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