Alex Vieira, CIO do Hcor e presidente da ABCIS. Foto: Divulgação

Após um ciclo voltado à informatização de processos e à adoção de sistemas, o setor de saúde brasileiro começa a concentrar esforços na integração de dados, na interoperabilidade (tema que já vem sendo discutido há mais de 15 anos) e na construção de uma infraestrutura capaz de conectar aspectos regulatórios, assistenciais e financeiros. A avaliação é da terceira edição do “Radar Estratégico da Saúde”, estudo elaborado pela Associação Brasileira de CIOs e Gestores de Tecnologia em Saúde (ABCIS).

O levantamento identifica que hospitais, operadoras, órgãos públicos e demais agentes caminham para um modelo de gestão baseado em ecossistemas conectados, com maior capacidade de compartilhamento seguro de informações e suporte à tomada de decisão.

Para a entidade, esse movimento representa uma evolução da maturidade digital do setor. A prioridade deixa de ser apenas a digitalização de atividades isoladas e passa a envolver governança de dados, rastreabilidade, conformidade regulatória e integração entre diferentes sistemas de informação.

Prescrição eletrônica e assistência farmacêutica

Entre os principais avanços apontados pelo Radar está a integração do Sistema Nacional de Controle de Receituários (SNCR), da Anvisa, às plataformas de prescrição eletrônica. Segundo a ABCIS, a iniciativa amplia o papel da prescrição digital ao incorporá-la a uma infraestrutura nacional voltada ao monitoramento, à segurança das informações e ao cumprimento de requisitos regulatórios.

Na prática, a integração fortalece mecanismos de rastreabilidade ao longo da cadeia do medicamento, permitindo maior controle sobre prescrições, dispensação e acompanhamento clínico. A expectativa é que a interoperabilidade contribua para reduzir inconsistências, aumentar a confiabilidade dos dados e aprimorar processos de fiscalização.

Outro destaque é a modernização da assistência farmacêutica no Sistema Único de Saúde (SUS). A substituição gradual do sistema Hórus pelo eSUS Assistência Farmacêutica, conectado à Base Nacional de Dados da Assistência Farmacêutica (BNAFAR) e à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), amplia o papel das farmácias na geração de informações estratégicas para continuidade do cuidado, gestão pública e segurança dos pacientes.

Dados ganham papel estratégico

O estudo também identifica desafios que pressionam organizações de saúde a ampliar o uso de inteligência baseada em dados. Entre eles estão o crescimento da judicialização, o aumento das exigências de transparência econômico-financeira, as demandas dos beneficiários e a necessidade de equilibrar os custos assistenciais em um ambiente cada vez mais complexo.

Segundo a ABCIS, esse conjunto de fatores reforça a importância de plataformas capazes de integrar informações clínicas, administrativas e regulatórias. A utilização de dados consolidados tende a apoiar decisões mais rápidas, melhorar a eficiência operacional e fortalecer a sustentabilidade de hospitais, operadoras e demais prestadores de serviços.

Entre as tendências identificadas está o aprimoramento da resposta do sistema de saúde a eventos epidemiológicos. A ampliação de leitos destinados ao atendimento de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), as campanhas de vacinação e as ações de farmacovigilância evidenciam a necessidade de modelos analíticos capazes de antecipar riscos, monitorar indicadores em tempo real e apoiar políticas públicas.

Inteligência para orientar decisões

Para Alex Vieira, CIO do Hcor e presidente da ABCIS, a evolução tecnológica da saúde depende da integração entre diferentes fontes de informação e da criação de ambientes digitais interoperáveis. Em nota o executivo destacou que “o que estamos observando é uma mudança de paradigma, em que a competitividade e a sustentabilidade das organizações de saúde dependerão cada vez mais da capacidade de integrar dados regulatórios, assistenciais e econômicos em ecossistemas interoperáveis e governados”.

A publicação foi desenvolvida para apoiar gestores e lideranças na interpretação das principais transformações que afetam o setor e reúne análises sobre tendências regulatórias, tecnológicas e de mercado com potencial para influenciar decisões de médio e longo prazo.

O documento está disponível neste link.

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