
A transformação digital deixou de ser um conceito ligado ao futuro para se tornar parte da rotina das pessoas, das empresas e da indústria. Essa foi a principal mensagem apresentada por Jorge Nascimento, presidente-executivo da Eletros, durante plenária na Eletrolar Show 2026. Ao abordar os impactos da tecnologia na competitividade da indústria eletroeletrônica, o executivo destacou que a inovação já não se resume à adoção de novas ferramentas, mas à capacidade de transformar tecnologia em experiência para o consumidor.
O tema ganha relevância em um momento em que inteligência artificial, internet das coisas, automação industrial e produtos conectados avançam rapidamente em diversos setores da economia. A digitalização passou a ser um requisito para empresas que buscam manter competitividade em mercados cada vez mais dinâmicos. Ao mesmo tempo, consumidores mais conectados e exigentes buscam produtos inteligentes, eficientes e capazes de oferecer conveniência no dia a dia.
Nascimento chamou atenção para o fato de que a tecnologia passou a ocupar um papel estrutural na sociedade.
“Hoje a gente não tem mais como dissociar o nosso dia a dia, a nossa rotina, da transformação tecnológica. Muitas vezes a gente não tem ideia de como é que essa transformação hoje envolve o nosso dia. A tecnologia deixou de ser uma ferramenta e ela se tornou o ambiente onde vivemos”, destacou. Segundo ele, desde o momento em que uma pessoa acorda até suas atividades de trabalho, lazer e consumo, a presença de soluções digitais tornou-se praticamente indissociável da rotina.
Além da IA
O executivo também destacou que existe uma percepção equivocada de que a transformação digital começou com a inteligência artificial. Na avaliação dele, a IA representa apenas uma etapa de um processo muito mais amplo, impulsionado pela evolução de dispositivos conectados, serviços digitais e novas experiências de uso.
“A transformação não é mais o futuro, ela já é o cotidiano” e a indústria eletroeletrônica ocupa uma posição estratégica neste cenário. Segundo Nascimento, toda a economia digital depende de equipamentos físicos para funcionar. Computadores, smartphones, televisores inteligentes, sensores e diversos outros dispositivos são a base que permite o funcionamento de aplicações digitais, inteligência artificial e sistemas conectados.
A evolução dos produtos mostra claramente essa mudança. Equipamentos que antes executavam apenas funções básicas passaram a compreender hábitos dos usuários e adaptar seu funcionamento de forma automática. Máquinas de lavar capazes de dosar insumos conforme o nível de sujeira das roupas, refrigeradores conectados a aplicativos de compras e aparelhos de ar-condicionado que ajustam a temperatura com base nos padrões de sono são alguns exemplos citados.
Saber usar a tecnologia faz a diferença
Para o dirigente da Eletros, essa transformação exige uma cadeia produtiva igualmente preparada. O avanço tecnológico não depende apenas dos fabricantes de produtos finais, mas também da evolução de componentes, semicondutores, motores, compressores e demais insumos utilizados na fabricação dos equipamentos. A busca por eficiência energética foi apresentada como um dos principais fatores dessa evolução tecnológica.
As mudanças também alcançaram o ambiente industrial com fábricas cada vez mais automatizadas, conectadas e integradas. Essas instalações passaram a operar com monitoramento em tempo real, sistemas robotizados e modelos avançados de gestão da produção. Nascimento apontou que a indústria eletroeletrônica brasileira já convive com operações altamente digitalizadas e processos que reduzem estoques, aumentam produtividade e aceleram a chegada de novos produtos ao mercado.
Ao mesmo tempo, o comportamento do consumidor mudou profundamente. A pandemia acelerou a digitalização das compras e ampliou a adoção de canais online. Hoje, segundo dados apresentados pelo executivo, 86% dos brasileiros realizam compras pela internet pelo menos uma vez por mês. O consumo passou a acontecer de forma integrada entre aplicativos, lojas físicas e plataformas digitais, exigindo novas estratégias de relacionamento e vendas.
O principal diferencial competitivo não está simplesmente no acesso à tecnologia, mas na forma como ela é utilizada. Nascimento frisou que “o desafio não é tecnológico. A competitividade passa por algo maior. A tecnologia ela está disponível para todos. Qual é a diferença das empresas para se tornarem mais competitivas? É saber usar essa tecnologia. Essa é a diferença”. Na visão dele, empresas capazes de transformar tecnologia em inovação, eficiência e experiência tendem a conquistar maior valor junto ao consumidor.
Nascimento finalizou com uma reflexão sobre o futuro da indústria e dos negócios, onde o sucesso das empresas dependerá cada vez mais da capacidade de compreender as expectativas dos consumidores, adaptar produtos às novas demandas digitais e acompanhar a velocidade das transformações tecnológicas.






Sem comentários registrados