
O alto uso de inteligência artificial nas empresas está impondo uma nova prioridade para os departamentos de tecnologia: modernizar a infraestrutura de rede. Um estudo da Cisco, realizado em parceria com a Foundry Research, aponta que as organizações terão até três anos para adequar suas redes ao crescimento da demanda gerada pela IA. O levantamento mostra que a evolução das aplicações de inteligência artificial ocorre em ritmo superior à capacidade das infraestruturas corporativas de acompanhá-la.
Os dados revelam que metade das empresas no mundo já implementou amplamente soluções de IA generativa. Ao mesmo tempo, 73% das organizações afirmam que suas redes devem atingir o limite de capacidade nos próximos 24 meses. No Brasil, esse percentual chega a 71%, indicando que o desafio também se estende ao mercado nacional.
Há um gap entre os investimentos em IA e a preparação da infraestrutura tecnológica necessária para sustentar esse avanço. Embora a adoção de novas aplicações acelere em diversos setores, questões como redes, conectividade e capacidade de processamento são críticas para garantir desempenho e disponibilidade.
Empresas reconhecem necessidade de modernização
Entre as empresas brasileiras, 74% afirmam que precisam atualizar suas redes, percentual próximo da média global, de 76%. O levantamento também mostra que 82% dos líderes de TI no Brasil demonstram maior confiança em suas estratégias de inteligência artificial do que na capacidade das redes de suportar a expansão dessas iniciativas.
A pesquisa também aponta um crescimento da IA agêntica. Globalmente, 85% das organizações esperam uma expansão moderada ou significativa dessa tecnologia nos próximos dois anos. O impacto dessa evolução será expressivo sobre a infraestrutura e a expectativa é que o tráfego de rede triplique em até três anos à medida que agentes de IA passem a operar em larga escala. Entre as empresas mais avançadas, um terço já utiliza amplamente essa tecnologia, enquanto 97% pretendem ampliar sua adoção até 2028.
O levantamento mostra que as redes sem fio estão entre os principais pontos de atenção das empresas. O crescimento do volume de dados, aliado ao aumento da quantidade de dispositivos e aplicações inteligentes, amplia a necessidade de redes com maior capacidade, menor latência e melhor desempenho.
Apesar da percepção de urgência, a atualização da infraestrutura enfrenta obstáculos financeiros. No Brasil, 91% dos executivos entrevistados afirmam que as restrições orçamentárias representam um dos principais desafios para modernizar suas redes corporativas. Sem investimentos em capacidade de rede, muitas organizações podem enfrentar limitações para escalar projetos baseados em IA.
Segurança ganha destaque com crescimento da IA
Além da infraestrutura, a pesquisa evidencia que a segurança cibernética se tornou uma preocupação crescente diante da expansão da inteligência artificial. No Brasil, 95% dos entrevistados afirmam enfrentar dificuldades para acompanhar a evolução das ameaças impulsionadas pela IA, índice superior à média global, de 92%.
O estudo mostra ainda que 88% das organizações brasileiras já identificam impactos negativos da inteligência artificial sobre a segurança digital. No cenário global, esse percentual é de 90%, reforçando o aumento da sofisticação dos ataques.
Outro desafio apontado é a perda de visibilidade sobre os ambientes de TI. Com fluxos de dados mais dinâmicos e distribuídos, impulsionados pela IA agêntica, ferramentas tradicionais de monitoramento passam a oferecer menor capacidade de observação das operações, ampliando a necessidade de soluções mais avançadas de observabilidade e gestão de redes.
A pesquisa ouviu 3.472 líderes de tecnologia de organizações com mais de 500 funcionários em diferentes regiões do mundo, incluindo Ásia-Pacífico, Europa, Oriente Médio, América Latina e América do Norte.






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