Imagem: StockCake

A transformação digital das instituições financeiras é uma das mais avançadas entre todos os setores. Depois de anos de aceleração na adoção de computação em nuvem e automação, o setor direciona parte crescente dos investimentos para reforçar a segurança cibernética e plataformas capazes de sustentar novas aplicações.

Um levantamento da KPMG revela que 41% dos líderes globais de tecnologia do segmento de serviços financeiros pretendem ampliar em pelo menos 10% os investimentos em segurança cibernética e análise de dados ainda este ano. Além disso, 40% dos executivos consideram que a proteção de dados será um dos principais fatores para o cumprimento das metas estratégicas das organizações.

Os resultados fazem parte da pesquisa “Global Tech Report 2026: Financial Services”, que analisou as prioridades tecnológicas de grandes empresas do setor financeiro em diferentes mercados. O estudo mostra que a construção de uma base tecnológica sólida passou a ser tratada como elemento essencial para ampliar o retorno dos investimentos em inovação.

Segurança e maturidade tecnológica

O levantamento indica que 58% dos entrevistados esperam alcançar, ainda este ano, o estágio mais elevado de maturidade em segurança cibernética dentro de suas organizações. O dado mostra a prioridade dada ao fortalecimento da resiliência digital em um ambiente marcado pelo crescimento das ameaças cibernéticas e pelo próprio aumento da dependência de sistemas digitais.

A pesquisa revelou que 52% dos executivos afirmam que mais de 40% do valor gerado pelas tecnologias digitais já é proveniente das plataformas tecnológicas fundamentais. O resultado evidencia a importância da modernização da infraestrutura, da integração de dados e da padronização de processos para sustentar projetos de transformação digital em larga escala.

Para Cláudio Sertório, sócio-líder de serviços financeiros da KPMG no Brasil, a construção dessas bases é determinante para ampliar os resultados das iniciativas de inteligência artificial. Em nota, Sertório afirmou que “é muito importante investir nas bases, com dados de alta qualidade, processos consistentes e estruturados, infraestrutura resiliente e segurança embarcada, para que o uso da inteligência artificial traga mais assertividade e atinja os objetivos desejados. A transformação precisa abranger todo o modelo de negócios e ecossistema”.

Entraves para novos investimentos

Embora o cenário indique avanço na modernização tecnológica, o estudo identifica obstáculos importantes para a execução das estratégias digitais. Entre os entrevistados, 43% afirmam que os custos para corrigir dívidas técnicas reduzem a capacidade de investir em novos programas de tecnologia, limitando a velocidade da inovação.

Outro desafio recorrente é a disponibilidade de profissionais especializados. De acordo com a pesquisa, 60% dos líderes informam que suas empresas não possuem o número de talentos necessários para executar os planos tecnológicos previstos, o que amplia a disputa por especialistas em áreas como dados, inteligência artificial, segurança cibernética e arquitetura de tecnologia.

A pesquisa da KPMG reuniu informações de 760 líderes de tecnologia do setor de serviços financeiros em empresas com faturamento anual entre US$ 1 bilhão e US$ 100 bilhões e possuem entre 500 e 50 mil colaboradores. Do total de entrevistados, 53% estão na região que reúne Europa, Oriente Médio e África, 28% nas Américas e 19% na Ásia-Pacífico.

Sem comentários registrados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *