
Fenômenos naturais severos deixaram de ser apenas uma preocupação ecológica para virar uma ameaça real aos negócios. Um levantamento recente feito pela plataforma de inteligência ESG C-More analisou dados de mais de 10 mil corporações no Brasil. O resultado impressiona: 35% do patrimônio físico das grandes organizações brasileiras convive com alto nível de perigo vindo de temporais, secas prolongadas, enchentes e calor excessivo.
A situação afeta diretamente o funcionamento rotineiro, o transporte de mercadorias, os aportes financeiros e o ritmo produtivo no país. Trata-se de uma questão que atinge a saúde financeira do mercado corporativo e do próprio setor público.
“As discussões sobre mudanças climáticas costumam ficar concentradas na agenda ambiental, mas os dados mostram que estamos diante de um desafio muito maior. Quando um ativo é impactado por uma enchente, uma seca prolongada ou uma onda de calor, estamos falando de interrupção operacional, aumento de custos, pressão sobre cadeias de suprimentos, impactos sobre investimentos e ates riscos fiscais para governos. O risco climático já é um tema econômico e estratégico”, explicou em nota André Veneziani, VP LATAM e BR da C-More.
Retrato da vulnerabilidade nacional
Episódios vivenciados nos últimos anos deixam esse cenário ainda mais nítido. A destruição provocada por temporais na Região Sul, a estiagem persistente no Nordeste e as temperaturas elevadas em vários cantos do país provam o tamanho do problema. Para completar, a iminente volta do fenômeno El Niño nos próximos períodos exige que todos fiquem mais atentos e bem preparados.
Conforme a avaliação da C-More, o país conta com boa base técnica e informações de sobra para prever esses desastres. O entrave real reside no comportamento das lideranças. “O Brasil possui conhecimento técnico, dados climáticos e previsibilidade suficientes para antecipar grande parte desses eventos. A questão é que ainda existe uma cultura predominantemente reativa. Muitas organizações só passam a olhar para o risco depois que o impacto já aconteceu”, reforçou Veneziani.
Da teoria para a prática estratégica
A proposta atual gira em torno de abandonar a simples preocupação teórica e partir para medidas práticas de mitigação. Usando ferramentas de inteligência artificial e acompanhamento constante, a plataforma da C-more cruza informações de instalações físicas, fornecedores e métricas socioambientais. Com isso, gera relatórios completos e planos voltados à proteção do negócio.
Veneziani apontou que “o que as empresas precisam hoje não é apenas saber que existe um risco climático, mas entender como esse risco afeta seus ativos, seus investimentos e sua capacidade de operar. A partir dessa visibilidade, é possível priorizar ações, reduzir vulnerabilidades e tomar decisões mais assertivas. Os eventos extremos não são mais exceções. Eles passaram a fazer parte do ambiente de negócios”.






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