
Provedores de data center e de computação em nuvem não faltam. Se falarmos puramente em data center, apenas a Equinix domina boa parte do tráfego de internet (nos Estados Unidos chega a representar 80%). Olhando para oferta de nuvem, temos AWS, Microsoft, Google, Oracle. O detalhe é que os grandes provedores de nuvem são norte-americanos e com a discussão sobre soberania cada vez mais forte, tem sido natural a busca por alternativas.
Nos Estados Unidos, há alguns anos o Cloud Act garante ao governo norte-americano acesso, quando necessário, aos dados gerenciados pelos provedores locais. Isso sempre foi visto como empecilho para setores mais regulados, como o financeiro. Agora, com o avanço da inteligência artificial, a soberania dos dados ganha relevância ainda maior e tem provocado discussões em diversos países. O governo brasileiro tem incentivado a busca por alternativas e possui inclusive níveis de soberania aceitáveis para determinados tipos de serviço. Para os mais críticos e/ou estratégicos, o dado precisa estar em data center instalado no Brasil, com gestão em território nacional e regido sob a lei local.
E é de olho nesse movimento que a provedora de nuvem brasileira Omid quer crescer. A empresa nasceu em 2018 incubada na Green4T, empresa já conhecida por sua oferta de construir e gerenciar data centers para terceiros, incluindo os data centers cofre. Agora, no momento de acelerar a expansão, eles querem dar um salto. O data center em São Paulo utiliza menos de 22% da capacidade instalada, mas já tem área de expansão pronta, como comentou o Chief Renevue Officer (CRO) da empresa, Leandro Senra, ao apresentar o local para alguns representantes da imprensa.
O segundo data center fica localizado no Rio de Janeiro e tem capacidade até maior. A unidade carioca, inclusive, está de mudança de um imóvel em Jacarepaguá para o edifício Teleporto, no centro do Rio. De acordo com o executivo, não se trata de uma mera mudança de CEP, mas de uma aposta ousada, já que esse edifício é conhecido por ser importante porta de conectividade; desde sua construção ele foi pensado justamente para abrigar centro de processamento de dados.
Data center boutique
“Sabemos que a concorrência faz trabalho bom, mas fizemos estudo para entender lacunas. O mercado não precisa de mais um provedor de cloud pública”, avalia Senra. Ele reconhece que não possui tudo que uma big tech tem, a exemplo do amplo capital em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e milhares de funcionários, mas garante conseguir atender bem os clientes com o básico bem-executado.
Para isso, ele atua no conceito de data center boutique. A ideia não é ter mega estruturas, mas locais que atendam bem e estejam mais próximos dos clientes, praticamente um data center edge, algo já comum nos Estados Unidos. Além de uma oferta segmentada e pensada no debate global sobre soberania, a Omid quer, de alguma maneira, ampliar a participação brasileira no bolo global. Atualmente o Brasil responde por pouco menos de 1% do mercado global que tem valor que ultrapassa os US$ 700 bilhões.
“Temos dois data centers Tier 3, no mesmo patamar das big techs, mas maximizamos o investimento. Pensamos na lógica de cloud pública edge, são data centers menores, com capacidade de expansão e equipamentos hiperconvergentes”, detalhou o CRO. Ele mencionou ainda que já estão em avaliação locais no Nordeste, Sul e Centro-Oeste. Mas o Brasil não é o limite, há um olhar para América Latina, que pode sair antes do imaginado, já que um provedor de tecnologia mexicano, com presença no Brasil e que busca de alternativas, iniciou conversas com eles.
Afora soberania, outro ponto crucial no argumento da provedora é previsibilidade de custos. Senra afirma que eles são “cloud pública com custo fixo. Contrata link de dados a custo fixo, previsibilidade total”. Isso deve soar como música para CIOs, mas, principalmente, para as lideranças financeiras, que sempre questionam a variabilidade do custo de nuvem. Parte dessa resposta está na escalabilidade, eles até oferecem, mas não vem como premissa. É comum nas grandes nuvens essa oferta ser habilitada como padrão. Qualquer desvio de consumo, mesmo que tenha sido por uma falha, pode render uma grande cobrança extra.
Senra afirma que a Omid já saiu do patamar de startup faz tempo, por ter investimento sólido e pensado no longo prazo. No momento, a empresa conta com R$ 90 milhões em contratos e o objetivo é dobrar esse valor nos próximos 12 meses. O número atual já garantiu o breakeven do negócio.






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