
A inteligência artificial deixou de ser uma novidade nos escritórios de advocacia, assim como em praticamente todos os setores da economia. Hoje a tecnologia integra a rotina da maior parte dos profissionais do setor. Um levantamento inédito da Associação dos Advogados (AASP) revela que 87,4% dos advogados já utilizam ferramentas de IA em suas atividades, enquanto 62,1% afirmam recorrer à tecnologia com frequência.
O estudo também mostra que a categoria enxerga a IA como uma ferramenta de apoio, e não como substituta da atuação humana. A percepção predominante é que a tecnologia deve assumir tarefas repetitivas e operacionais, liberando tempo para atividades que exigem análise jurídica, estratégia, interpretação e relacionamento com clientes.
A pesquisa foi realizada entre 14 de maio e 14 de julho de 2026 e reuniu 1.149 respostas de associados da entidade, distribuídos por diferentes estados, faixas etárias e áreas do Direito.
Ganho de produtividade impulsiona a adoção
Os ganhos de eficiência aparecem como um dos principais fatores para a rápida disseminação da IA na advocacia. Segundo a pesquisa, 84,3% dos participantes afirmam que a tecnologia aumenta a produtividade em tarefas como pesquisas jurídicas, elaboração de peças processuais, organização de informações e análise de jurisprudência.
Ao mesmo tempo, a pesquisa indica que a confiança na IA depende da participação humana, pois para 75,4% dos entrevistados, as respostas geradas pelas plataformas são confiáveis apenas quando passam por revisão de um profissional. A parcela que afirma confiar integralmente no conteúdo produzido automaticamente permanece minoritária.
O levantamento também aponta que a transformação da profissão tende a se intensificar. Para 95,6% dos participantes, a IA provocará mudanças relevantes na advocacia durante a próxima década. Desse grupo, 77,5% acreditam que essas mudanças serão profundas.
Capacitação ainda é desafio
Apesar da ampla adoção, a necessidade de preparação ainda não acompanha o avanço da tecnologia. A pesquisa mostra que 85,3% dos advogados consideram indispensável receber capacitação específica para utilizar ferramentas de IA de forma adequada na prática jurídica.
A criação de regras específicas para o uso da IA na advocacia aparece como uma demanda amplamente compartilhada pela categoria. De acordo com a pesquisa, 75% defendem uma regulamentação voltada ao exercício da profissão. Em outro recorte do levantamento, 74,2% afirmam que o uso da tecnologia deve seguir normas claras para garantir segurança jurídica, responsabilidade e ética.
Mais da metade dos participantes (54%) aponta as chamadas “alucinações” da IA como o principal risco. Em seguida aparecem o uso sem supervisão humana (23,2%), a dependência excessiva da tecnologia (14%) e possíveis impactos sobre o sigilo profissional (7,2%).
Outro resultado considerado estratégico pela AASP mostra que 90,3% dos entrevistados acreditam que plataformas desenvolvidas especificamente para a advocacia brasileira oferecem mais segurança e eficiência do que ferramentas de uso geral. Para os profissionais, soluções treinadas com base na legislação, jurisprudência, linguagem técnica e dinâmica processual do país tendem a entregar resultados mais confiáveis.
Futuro passa por inovação e segurança
Paula Lima Hyppolito Oliveira, Presidente da AASP, destacou em nota que “a pesquisa demonstra que a Advocacia entrou em uma nova etapa de maturidade em relação à Inteligência Artificial. A tecnologia deixou de ser uma tendência para se tornar parte da rotina profissional. O desafio agora é preparar a Advocacia para um futuro em que inovação, conhecimento e segurança caminhem juntos”.
Para a associação, os resultados reforçam que o avanço da IA na advocacia dependerá da combinação entre desenvolvimento de soluções especializadas para o Direito brasileiro junto com formação permanente dos profissionais.






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