Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado/Flickr

O Tribunal de Contas da União (TCU) ampliou o uso de inteligência artificial e computação em nuvem para apoiar atividades de fiscalização e análise de informações. Uma das principais iniciativas é o ChatTCU, desenvolvido com soluções da Microsoft. Trata-se de assistente para servidores e auditores consultarem bases institucionais por meio de linguagem natural.

A ferramenta havia registrado mais de 1,3 milhão de chats e 4,9 milhões de mensagens até junho. O sistema reunia 3.860 usuários distintos, com uma média diária que variava entre 10 mil e 30 mil mensagens.

O projeto foi criado para lidar com um dos desafios da atuação do TCU: consultar grandes volumes de documentos, processos e dados técnicos. A ferramenta permite fazer perguntas diretamente às bases internas, incluindo informações que não estão disponíveis em modelos públicos de IA.

ChatTCU acelera acesso a informações

O ChatTCU utiliza uma arquitetura que combina modelos de diferentes fornecedores e recursos do Azure OpenAI in Foundry Models. A solução também usa técnicas de retrieval-augmented generation (RAG) para localizar informações relevantes em deliberações, sistemas internos e bases de conhecimento do Tribunal antes de elaborar uma resposta.

A plataforma informa o modelo empregado em cada interação e indica quando uma resposta utiliza internet ou conhecimento geral. A proposta é dar mais transparência ao funcionamento da IA e facilitar a conferência das informações utilizadas pelos servidores.

Segundo Rainério Rodrigues Leite, Secretário de Tecnologia da Informação e Evolução Digital do TCU, a ferramenta reduz a dependência de conhecimentos especializados para acessar dados. Em nota o secretário contou que “qualquer auditor que não tenha essa expertise tem condições de conversar com essas bases de dados e subsidiar todos os seus trabalhos de uma forma muito mais rápida e segura”.

O Tribunal também utiliza agentes de IA em atividades como elaboração de minutas e pareceres. Entre as aplicações estão Voto Recon, Acórdão de Relação, Rejeição de Embargos e Análise de Prestação de Contas. Apesar da automação de etapas, os documentos produzidos pelos sistemas passam por revisão humana. A decisão e a emissão dos atos finais continuam sob responsabilidade dos servidores.

Nuvem sustenta expansão da IA

A infraestrutura tecnológica foi estruturada sobre computação em nuvem, com recursos do Microsoft Azure. O ambiente é destinado a usuários do próprio TCU e adota mecanismos de proteção para os dados, incluindo criptografia durante o armazenamento e a transmissão.

O Tribunal utiliza uma conexão dedicada com os ambientes de nuvem, na qual o tráfego não precisa passar pela internet pública. A estrutura foi desenhada para ampliar a disponibilidade das aplicações e, ao mesmo tempo, atender às exigências de segurança e governança da instituição. “Hoje, com o uso da nuvem, essa tecnologia está disponível 24 horas por dia em todos os locais”, destacou Leite.

IA no desenvolvimento de software

A transformação tecnológica também alcançou as equipes de desenvolvimento. O TCU migrou do GitLab para o GitHub Enterprise em uma primeira fase de cerca de três meses. Depois, transferiu os pipelines para o GitHub Actions em um processo que levou aproximadamente cinco meses. As mudanças foram acompanhadas por treinamentos. Com o novo ambiente, o GitHub Copilot passou a ser utilizado para apoiar a programação e a criação de agentes de IA.

Uma pesquisa interna mostrou que 83,8% dos profissionais que utilizam IA generativa para gerar código perceberam ganhos de pelo menos 31% no tempo de desenvolvimento. O indicador considera o uso geral da tecnologia nessa atividade.

A segurança do código também ganhou novos recursos. Em 2026, o TCU começou a habilitar o GitHub Advanced Security, junto com ações de capacitação e conscientização. Depois de duas campanhas, a instituição informou ter eliminado as ocorrências identificadas de secrets, que podem envolver credenciais e outras informações sensíveis expostas no código.

Tecnologia voltada ao cidadão

Wagner Miranda Costa, Secretário Adjunto de Tecnologia do TCU, contou também em nota que “o cidadão é um elemento fundamental. Ele tem que ser o foco de todas as ações, de todos resultados que a organização busca”.

O Tribunal ainda trabalha em iniciativas voltadas diretamente à relação com o público. A próxima etapa envolve medir os efeitos dessas soluções sobre acesso à informação, clareza e transparência. A intenção é tornar mais compreensível para a sociedade o trabalho realizado pelo órgão de controle, especialmente em áreas marcadas por linguagem técnica, grande volume documental e processos complexos.

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