Cleber Morais, diretor-geral da AWS no Brasil. Foto: Divulgação

A Amazon anunciou dois novos projetos de gestão e conservação de água no Brasil. As iniciativas, apresentadas durante o AWS Summit São Paulo, combinam inteligência artificial, sensores e análise de dados para reduzir o desperdício em áreas agrícolas de Minas Gerais e na rede de abastecimento de São Paulo.

Quando estiverem totalmente implementadas, as duas ações deverão evitar o desperdício de 785 milhões de litros de água por ano. A estratégia faz parte de um programa global da Amazon voltado à reposição e conservação de recursos hídricos.

Irrigação mais precisa em Minas Gerais

Em Minas Gerais, a Amazon vai financiar integralmente uma iniciativa desenvolvida com a empresa de agritecnologia Phytech. O projeto utilizará sensores instalados nas plantas para acompanhar a saúde das culturas e a umidade do solo em mais de 390 hectares de áreas agrícolas.

Os dados serão processados com recursos de IA hospedados na nuvem da AWS. Com informações atualizadas sobre as condições das plantações, os produtores poderão ajustar a irrigação de acordo com a necessidade de cada cultura, reduzindo aplicações desnecessárias.

A iniciativa será realizada nas bacias dos rios Velhas e Paraopeba, que enfrentam forte pressão sobre os recursos hídricos. Atualmente, a demanda combinada de setores como agricultura, indústria e abastecimento municipal supera em 60% a disponibilidade de água nessas regiões.

O projeto deve reduzir a captação em 200 milhões de litros por ano. Em uma década, a estimativa é que 2 bilhões de litros deixem de ser retirados, beneficiando comunidades e o meio ambiente.

IA para encontrar vazamentos em São Paulo

Já em São Paulo, a Amazon está ampliando uma iniciativa iniciada em 2025 com a Aganova e a Sabesp. O projeto utiliza o sistema Nautilus, equipamento capaz de percorrer o interior das tubulações sem a necessidade de interromper o fornecimento de água.

A tecnologia combina coleta de dados e análise com IA na AWS para identificar vazamentos e bolsas de ar dentro dos dutos. A proposta é encontrar perdas que podem passar despercebidas por técnicas tradicionais de inspeção. Com a expansão, a economia estimada será de 585 milhões de litros de água por ano. Somando esse resultado ao projeto original, a expectativa é chegar a 795 milhões de litros economizados anualmente.

Cleber Morais, diretor-geral da AWS no Brasil, destacou em nota que “as regiões metropolitanas de São Paulo e Belo Horizonte estão entre as mais populosas do país, com um total de cerca de 28 milhões de pessoas. Garantir a segurança hídrica para essas populações é fundamental, e tecnologias como IA e nuvem são grandes aliadas para alcançar esse objetivo”.

A atuação da Amazon na conservação de água no país inclui outras iniciativas. Em São Paulo, uma parceria com a empresa de tecnologia climática Kilimo utiliza sensores de umidade do solo e dados sobre as condições das áreas agrícolas para orientar a irrigação de produtores próximos ao rio Tietê. A previsão é economizar 200 milhões de litros de água por ano nessa frente. A solução utiliza a infraestrutura de nuvem da Kilimo hospedada na AWS.

Outra ação envolve a Fundação SOS Mata Atlântica. O projeto prevê o plantio de 110 mil árvores nativas em 44 hectares de Áreas de Preservação Permanente (APPs) nas bacias dos rios PCJ e Sorocaba. Além de contribuir para a recuperação da vegetação, a restauração pode favorecer a recarga dos aquíferos, reduzir processos erosivos e ajudar na filtragem de poluentes. A estimativa é que a iniciativa contribua para o reabastecimento de 144 milhões de litros de água por ano depois de concluída.

A Amazon também mantém um projeto no Recife, anunciado no início de 2026 com a Aganova e a Compesa. A iniciativa busca reduzir perdas no sistema de abastecimento em 165 milhões de litros de água por ano.

Meta global da AWS

No mundo, a Amazon já anunciou mais de 50 projetos relacionados à reposição e conservação de água. Juntos, eles devem representar a devolução de mais de 24 bilhões de litros de água por ano quando estiverem concluídos.

A gestão hídrica também está ligada à operação dos data centers da AWS. A empresa estabeleceu, em 2022, a meta de se tornar positiva em relação à água até 2030. A ideia é devolver às comunidades mais água do que a utilizada diretamente nas operações dos centros de dados.

Segundo a Amazon, a AWS já alcançou 75% desse objetivo. Em 2025, a companhia afirma ter devolvido três litros de água para cada quatro litros consumidos em suas operações.

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